As Freiras da Maconha. Os Moldes Espirituais. A Tradição Monástica. O Grupo de Mulheres e a Segurança Financeira

 


Elas viraram figuras pops de destaque internacional. Surgem sempre com vestes de irmãs católicas, mas não pertencem a nenhuma ordem religiosa. As Freiras da Cannabis (Sisters of the Valley) seguem moldes espirituais, inspirados em tradições monásticas, organizados por elas mesmas, para chamar a atenção e promover a segurança financeira de um grupo de mulheres que decidiram, há dez anos, sobreviver com o plantio de maconha.

Lideradas por Sister Kate, que começou o cultivo em Merced, pequena cidade no Vale Central, da Califórnia, o coletivo se transformou em referência no movimento da Cannabis medicinal e do ativismo pela legalização da maconha. Apesar da estrutura enxuta, expandiram as vendas com parcerias regionais estratégicas. A mais recente, foi anunciada esta semana, com ONG brasileira Pangeia, composta de pessoas pretas, indígenas e periféricas, que vai dispensar pomadas e óleos medicinais de CBD (Canabidiol, substância terapêutica extraída das flores da planta), produzidas pelas Freiras da Cannabis.

Pela segunda vez este ano, desembarcaram no país para prospectar novos negócios. Em abril participaram de workshops. No final deste mês, deram palestra na Expo Head Grow, feira que contou com 130 marcas expositoras e um público de 17 mil pessoas, em São Pulo.

“Já exportamos nosso CBD para praticamente todos os países do mundo”, disse a mexicana Sister Camila, uma das integrantes do grupo, especialista em negócios. 

Apesar da penetração no mercado internacional e o bom marketing, o grupo tem batalhas constantes contra as regulamentações americanas –isso mesmo, contra porque elas surgiram antes das leis de comércio da maconha, mas as constantes mudanças geram burocracias legais onerosas que dificultam pequenos negócios. E elas decidiram estar sempre no contra-fluxo das medidas. Daí a missão de se expandiram mundo afora.

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