O Casal. A Menina. O Erro Médico. A Sequela Eterna. A Indenização de US$ 951 Milhões de Dólares


 

Um juiz de Utah (EUA) concedeu a uma família uma indenização recorde no estado após um erro no parto deixar uma menina com sequelas por toda a vida. Anyssa Zancanella, Danniel McMicheal e sua filha de 5 anos, Azaylee, ganharam o direito de receber US$ 951 milhões (cerca de R$ 5,2 bilhões) após decisão do Patrick Corum no início deste mês. O magistrado considerou a Steward Health Care responsável pelo parto malsucedido da recém-nascida em West Valley City, Utah, em 14 de outubro de 2019. Azaylee só nasceu mais de um dia depois — e após uma cesárea há muito esperada, segundo o processo.

As enfermeiras designadas para Anyssa no Jordan Valley Medical Center — então propriedade da Steward — eram tão inexperientes que mal haviam concluído o treinamento e administraram à mãe doses perigosas de um medicamento indutor de parto enquanto o médico de plantão dormia em um quarto próximo, alegou o processo movido pela família em 2021, contou reportagem do “Salt Lake Tribune”.

Quando as enfermeiras finalmente informaram ao médico de plantão sobre a pressão arterial alarmante do bebê e a febre da mãe, o médico simplesmente voltou a dormir em um quarto a poucos passos de onde o trabalho de parto estava em andamento, alegou o processo movido pela família. A bebê teve que ser levada de helicóptero para a unidade de terapia intensiva do Hospital Infantil Primário em Salt Lake City devido a uma série de complicações, incluindo falta de oxigênio durante o trabalho de parto. Azaylee nasceu por cesariana, com “a cabeça deformada”, um rosto “inchado” e hematomas e protuberâncias na parte frontal do couro cabeludo.

“[Anyssa] teria se saído melhor dando à luz no banheiro de um posto de gasolina, ou em uma cabana em algum lugar da África, do que neste hospital. Literalmente, este foi o lugar mais perigoso do planeta para ela ter dado à luz”, disse Corum em uma decisão no início de agosto.

Azaylee precisa de cuidados 24 horas por dia devido às convulsões regulares. Ela é principalmente não verbal e carece da plenitude das funções cognitivas e físicas de outras crianças da sua idade. Os médicos que a acompanham acreditam que ela nunca será capaz de realizar atividades normais, como dirigir, frequentar a faculdade ou trabalhar.

As convulsões de menina são tão frequentes que a família — incluindo sua irmã mais nova — dorme em uma cama gigante para estarem perto caso um dos ataques aconteça enquanto ela dorme. Eles levam oxigênio para todos os lugares aos quais vão a fim de ajudar com as convulsões.

“A vida dela foi roubada. Ela foi tomada de nós”, desabafou a mãe.

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