O Amapá. O Açaí. A Queda na Exportação. O Litro a R$ 8 Reais

 

 

O preço do açaí caiu de forma significativa no Amapá. Nas feiras e pontos de venda, o litro é encontrado entre R$ 8 e R$ 14 — valor bem abaixo do registrado em anos anteriores. A saca do fruto, que já chegou a custar R$ 600, hoje é vendida por cerca de R$ 200. A redução está ligada ao aumento da oferta interna. Parte da produção que seria exportada para os Estados Unidos ficou no estado após as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Com mais açaí disponível, os consumidores voltaram a comprar em maior quantidade.

De acordo com Antônio Alves, da Associação dos Batedores de Açaí (Asbap), parte da produção que iria para exportação ficou no Amapá, o que aumentou a oferta no estado. "Os comerciantes enfrentam dificuldades devido aos altos custos da produção. As indústrias direcionaram parte da produção para exportação e, com o tarifaço, acabou tendo mais açaí nas feiras, fazendo com que o preço caísse", disse Alves. O empreendedor João Paulo Moreira diz que a mudança no preço foi sentida imediatamente nos pontos de venda. 

"Tem muita procura por aqui. As filas são imensas. O preço está bom. Quem comprava um [litro], agora compra dois, três... e assim vai. Todo mundo sai ganhando", relatou o empreendedor.

Exportação suspensa - Em julho, extrativistas suspenderam o envio de 15 toneladas de açaí para os Estados Unidos após as tarifas impostas pelo governo Donald Trump. A medida encareceu a entrada do produto brasileiro no mercado americano. Com os contratos prejudicados e as negociações congeladas, parte da produção que seria destinada ao exterior permaneceu no estado. 

O retorno desse volume ao mercado interno aumentou a oferta de açaí nas feiras e batedeiras do Amapá. Segundo a Asbap, a suspensão das remessas reforçou o abastecimento local num momento de alta demanda, o que mantém o açaí mais barato para o consumidor amapaense.

Redução das tarifas - Na sexta-feira (14), os Estados Unidos reduziram as tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios, incluindo café, carne, açaí e manga. Para o Brasil, as taxas caíram de 50% para 40%. Num primeiro momento, exportadores brasileiros tiveram dúvidas sobre o tamanho da redução. Posteriormente, o Ministério da Agricultura esclareceu que a ordem abrange apenas as chamadas taxas de reciprocidade, impostas a diversos países pelo presidente Donald Trump, em abril. No caso do Brasil, elas foram de 10%.

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