O Concurso Para Oficial de Justiça. A Avaliação Psicológica. A Reprovação Record. O Cebraspe. A Enxurrada de Denúncias. O TJ do Pará e o Silêncio

 


A etapa de avaliação psicológica do concurso do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), destinado ao provimento de vagas de analista judiciário e oficial de justiça avaliador, tornou-se alvo de fortes questionamentos por parte dos candidatos. Uma série de inconsistências, denúncias de irregularidades e falhas operacionais atribuídas ao Cebraspe, banca responsável pela execução do certame, vêm chamando atenção e levantando dúvidas sobre a lisura do processo. A situação agravou-se nos últimos dias após a publicação do Edital nº 9 – TJPA, de 24 de novembro de 2025, que incluiu novos candidatos como “aptos” na avaliação psicológica, conforme consta no Diário de Justiça.

A inclusão ocorreu sem explicação detalhada e em meio a relatos de extravio dos testes psicológicos de diversos candidatos, fato que não foi oficialmente negado pelo Cebraspe. Segundo relatos, parte dos materiais, documentos considerados sigilosos e que compõem a base técnica da análise psicológica, teriam sido extraviados, impossibilitando a avaliação regular e comprometendo o resultado final. O fato mais grave envolve o suposto extravio de instrumentos psicológicos utilizados na prova. 

Candidatos denunciam que o Cebraspe teria perdido testes aplicados em um dos dias de avaliação, o que obrigaria a banca a reconhecer a impossibilidade de análise técnica. Poucos dias depois, o Edital nº 9 incluiu novos nomes como aptos, porém sem indicar se seus testes foram recuperados, reavaliados ou simplesmente substituídos por algum critério excepcional.

Outro ponto que chama atenção é o índice de reprovação. Informações preliminares indicam que mais da metade dos candidatos não foi considerada apta, percentual considerado atípico para avaliações psicológicas de concursos públicos, que em geral aplicam critérios objetivos de compatibilidade e não de eliminação em massa. Para candidatos, o índice elevado demonstra que os critérios podem não ter sido adequadamente definidos; os instrumentos podem não ter sido aplicados de forma correta ou houve falhas estruturais capazes de contaminar todo o processo.

Diversos relatos dos candidatos descrevem uma aplicação marcada por desorganização e despreparo. Entre as ocorrências, destacam-se: 

Aplicadores despreparados - Psicólogos e fiscais responsáveis por conduzir o exame teriam demonstrado insegurança sobre a metodologia, chegando a desenhar figuras incorretas no quadro e a fornecer orientações equivocadas aos candidatos; 

Recusa em registrar irregularidades - Quando candidatos solicitaram que os erros fossem registrados em ata, houve negativa do aplicador; 

Contratação de psicólogos na véspera - Denúncias de que a banca contratou psicólogos emergencialmente, pouco antes da data da prova, o que poderia explicar a falta de treinamento e familiaridade com os instrumentos aplicados; 

Divergência de procedimentos entre sala - Enquanto alguns candidatos puderam ir ao banheiro durante determinados testes, outros foram proibidos. A disparidade gera questionamentos sobre a isonomia da etapa; 

Ambiente impróprio de aplicação - Na UFRA, um dos locais de prova, ocorria simultaneamente um campeonato de futebol na quadra próxima às salas, gerando ruído intenso e dificultando a concentração. A psicometria determina que o ambiente deve ser controlado e livre de interferências externas.

Outro ponto grave relatado por candidatos é a recusa do Cebraspe em fornecer o Estudo Científico do Cargo, documento obrigatório previsto no próprio edital. Sem esse documento, não é possível verificar se os testes utilizados são adequados ao cargo público em disputa, etapa indispensável para a validade jurídica da avaliação. 

Diante de tantas inconsistências, candidatos pedem que o Tribunal de Justiça apure as falhas; que o Cebraspe explique o extravio dos testes; que o Ministério Público acompanhe o caso e que uma nova avaliação psicológica seja feita, por banca independente e com critérios transparentes.

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