A Joelma. A Prefeitura. Os Cachês. O MP e as Ações na Justiça

 

 

Um show da cantora paraense Joelma anunciado pela Prefeitura de Santa Bárbara do Tugúrio, no Campo das Vertentes, está na mira do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O órgão acionou a Justiça para pedir a suspensão de uma apresentação da artista, cujo cachê para se apresentar na festa de aniversário da cidade, no próximo dia 27/12, foi fixado em R$ 550 mil . É a terceira vez em três anos que o município é alvo de uma ação por contratar a mesma cantora por valores considerados desproporcionais em relação ao orçamento da cidade.

A ação civil pública tem como alvos tanto a Prefeitura de Santa Bárbara do Tugúrio quanto a empresa J Music Editora e Produções Artísticas, responsável por negociar a contratação de Joelma. Na argumentação, a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público aponta que o valor cobrado pela apresentação da cantora é muito superior, por exemplo, ao que foi gasto para a celebração do aniversário da cidade em 2023, quando o município desembolsou menos de R$ 80 mil. 

O MPMG aponta ainda que os R$ 550 mil para contratação de Joelma extrapolam, e muito, gastos do município com serviços essenciais para atendimento à população. Em 2022, por exemplo, o orçamento liberado pela prefeitura de Santa Bárbara do Tugúrio para ações de saneamento não ultrapassaram R$ 160 mil, segundo o Ministério Público, enquanto o investimento em habitação foi de apenas R$ 3.500. "Assim, o que se quer demonstrar é que o município não sabe escolher as prioridades e desprender recursos públicos, pois diversas de suas pastas recebem e, de fato, receberam valores muito aquém que um único show contratado", diz o promotor de Justiça Vinícius de Souza Chaves.

A promotoria também levanta a possibilidade de que o contrato firmado tenha sido superfaturado. Isso porque, segundo levantamento feito pelo MPMG, “o valor médio cobrado pelas apresentações da cantora em outros municípios é de R$ 445 mil, o que representaria um superfaturamento da ordem de R$ 105 mil”. 

E não se trata de um caso isolado. O município de Santa Bárbara do Tugúrio e a empresa responsável por negociar a contratação de Joelma já são alvos de uma outra ação que busca o ressarcimento de dano causado aos cofres públicos em razão de superfaturamento apontado em outro show da cantora realizado em 2022. Em 2024, a prefeitura tentou contratar a artista novamente por R$ 500 mil, mas a negociação foi suspensa por decisão judicial.

Por meio de nota, a Prefeitura de Santa Bárbara do Tugúrio afirmou que "a contratação foi precedida de procedimento administrativo regular, com respaldo técnico e jurídico, observando a legislação vigente". Ainda conforme o município, a contratação de Joelma "integra ações voltadas à valorização cultural, ao fortalecimento do turismo e ao aquecimento da economia local, com geração de emprego e renda". A administração municipal declarou ainda que respeita a atuação do Ministério Público e que confia na análise do Poder Judiciário.

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