O juiz federal Eduardo Appio, da 18ª Vara de Curitiba, que em 2023 chegou a assumir o julgamento dos processos da Lava Jato criticando os métodos da operação, se tornou alvo de um processo administrativo disciplinar por decisão da Corte Especial Administrativa do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Appio é suspeito de furtar três garrafas de champanhe Moët & Chandon, no valor promocional de R$ 399,00 cada uma, do Giassi Supermercados, em Blumenau (SC). Isso teria acontecido em três situações, em 20 de setembro e nos dias 4 e 18 de outubro. O caso veio à tona em 23 de outubro, após a Polícia Civil de Santa Catarina notificar o TRF-4. Uma semana depois, a Corte Administrativa do tribunal decidiu afastar provisoriamente o juiz. Também determinou sigilo à apuração preliminar.
Em 27 de novembro, em nova decisão, a Corte Administrativa aprovou a instauração do processo disciplinar e manteve o afastamento dele até conclusão dos trabalhos. Também decidiu pelo levantamento do sigilo do caso. De acordo com os magistrados do TRF-4, ao "ocultar conscientemente a bebida em sacola de compras", Appio pode ter violado o trecho da Lei Orgânica da Magistratura Nacional que define que todo magistrado deve "manter conduta irrepreensível na vida pública e particular"
A decisão pela abertura do PAD também menciona trecho de uma resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que cobra princípios éticos e respeito às leis. O prazo para conclusão de um PAD é de 140 dias, podendo ser prorrogado. Além disso, na decisão da semana passada, os magistrados negaram o pedido de celebração de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) porque entenderam que "o fato configura possível infração disciplinar de alto grau de lesividade". Também observaram que Appio já assinou um TAC
Nos últimos 3 anos e que a medida pode ser insuficiente para "prevenção de novas infrações". Appio ficou conhecido por decisões polêmicas em processos relacionados à Operação Lava Jato. Ele atuou na 13ª Vara de Curitiba de fevereiro a maio de 2023, quando foi afastado. O episódio que gerou seu afastamento foi uma ligação para o advogado João Eduardo Barreto Malucelli, sócio do ex-juiz Sergio Moro (hoje senador pelo União Brasil) em um escritório de advocacia e filho do desembargador federal.
Marcelo Malucelli, então relator da Lava Jato em segunda instância. Na ligação, Appio fingiu ser outra pessoa, na tentativa de comprovar que falava com o filho de Marcelo Malucelli. Ele também foi acusado de usar mercúrio, substância tóxica e nociva à saúde e ao meio ambiente, em desacordo com a lei.

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