A Agropecuária Santa Bárbara. O Incra. A “Venda” da Fazenda. Os R$ 80 Milhões. O Benedito Mutran e o Calote
Uma negociação envolvendo a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S.A. (AgroSB) e o Incra tem chamado a atenção por suas circunstâncias incomuns e pelos questionamentos que levanta sobre a regularidade do negócio. De acordo com escritura pública, a AgroSB teria “vendido” ao Incra a Fazenda Maria Bonita, área que originalmente pertencia a Benedito Mutran Filho, pelo valor de R$ 80 milhões. O detalhe que mais desperta estranheza é a forma de pagamento: o montante teria sido pactuado para quitação em parcela única, no prazo de apenas 30 dias, algo raro no mercado de terras brasileiro, especialmente em negociações desse porte.
A situação torna-se ainda mais controversa quando se observa que a área em questão está invadida desde 2012, com diversos loteamentos irregulares consolidados há mais de uma década e disputa possessória em curso. Quando ocorreram as ocupações, a fazenda já estava sob a posse da AgroSB, e não mais de Benedito Mutran Filho, o que adiciona mais complexidade ao caso.
Outro ponto relevante é que o espólio de Benedito Mutran Filho afirma não ter recebido integralmente o valor das fazendas envolvidas, Maria Bonita, Cedro e Espírito Santo. O suposto inadimplemento é objeto de ação judicial atualmente em trâmite, na qual se discute o não pagamento integral do preço ajustado. O contraste fica ainda maior quando se considera que a Fazenda Espírito Santo, integrante do mesmo conjunto de propriedades, foi vendida em 2024 por cerca de R$ 250 milhões ao Grupo Quagliato.
Em resumo, trata-se de uma operação que reúne elementos pouco usuais: uma fazenda invadida há mais de dez anos, com conflitos possessórios e loteamentos irregulares, “vendida” por R$ 80 milhões, com pagamento à vista e em prazo curtíssimo, enquanto o antigo proprietário sustenta que sequer recebeu integralmente o valor que lhe seria devido. Um caso que, no mínimo, levanta dúvidas e merece acompanhamento atento.
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