A Garçonete Brasileira. O Restaurante Coyote Ugly. O Colega de Trabalho. O Sarro com o Sotaque. A Indenização de 35 Mil Libras

 


A brasileira Ana Beatriz Machado, 30, que trabalhava como garçonete no restaurante Coyote Ugly em Liverpool, na Inglaterra, recebeu uma indenização de 35 mil libras (R$ 254 mil, na conversão atual) depois de uma colega de trabalho tirar sarro de seu sotaque brasileiro. De acordo com o Daily Mail, a brasileira afirmou que os episódios a deixaram ansiosa e deprimida. Após ser demitida por alegações de roubo para envio de dinheiro ao Brasil, ela passou cerca de um ano desempregada, dependendo de auxílios do governo para se alimentar e cuidar da filha de 5 anos.

Durante o julgamento em um tribunal trabalhista de Liverpool, Machado contou que começou a trabalhar no restaurante em dezembro de 2021, e que imediatamente passou a ser importunada pela colega Rhiannon Freeman, que orientava outra garçonete a não dar o microfone para a brasileira – no Coyote Ugly, as funcionárias usam o equipamento para falar com os clientes. Freeman teria dito que os frequentadores do restaurante “não entendiam” a brasileira, chamando Machado de “estranha” e “com dificuldade de comunicação”. A juíza Jane Callan determinou que os comentários eram racistas e estipulou o pagamento da compensação. 

“Foi uma conduta desnecessária com o efeito de humilhação ou criação de um ambiente ofensivo para ela. O sotaque é intrínseco a sua nacionalidade”, pontuou a magistrada.

A brasileira também foi contemplada no processo de assédio demissional porque a juíza entendeu que a gerente, Rebecca Fitzsimmons, foi influenciada pela nacionalidade de Machado na hora da demissão – a garçonete foi acusada de roubar dinheiro do estabelecimento para enviá-lo a familiares no Brasil. Após o julgamento, Machado disse que os comentários sobre seu sotaque a fizeram perder confiança e se sentir uma piada como imigrante. Ela decidiu buscar a justiça para limpar seu nome. 

“Como pessoa e mãe, a experiência foi muito difícil. Fiquei muito deprimida e precisei de medicamentos para lidar com o processo, carregando vergonha e medo de acreditarem na alegação falsa de roubo”, afirmou. 

O trauma da situação acompanhou a brasileira no novo emprego, no restaurante Hooters. 

“Quando finalmente consegui uma vaga, vivi com medo por muito tempo, achando que seria demitida por qualquer erro, receosa de receber gorjetas”, contou.

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