A Xuxa. A Turnê de 40 Anos. A Rainha dos Baixinhos. O Último Voo da Nave


 

Há 40 anos, em 30 de junho de 1986, as definições de veículos que conduzem uma rainha foram atualizadas com sucesso. A carruagem rococó foi substituída por uma icônica nave espacial. A troca do transporte oficial da monarquia do pop brasileiro ocorreu na estreia do programa infantil Xou da Xuxa, na Rede Globo, para morar no imaginário coletivo nacional. O êxito foi tanto que a aeronave mais badalada do show business posou em diversos países do mundo. E cada vez que aterrissava na TV, em um espetáculo ou apresentação, abria a porta para a sua única condutora, a queen Xuxa Meneghel (62), entreter a audiência com música, alegria e um carisma de ofuscar as joias da realeza.

Em 2026, para celebrar essa era que soma quatro décadas e muitas gerações, a loira apresenta O Último Voo da Nave. Uma turnê para os súditos —e a própria Rainha— se despedirem de um símbolo que sobrevoou muitas infâncias e se tornou um transporte emblemático da carreira da artista. A primeira apresentação, marcada para 25 de julho, no Allianz Parque, em SP, teve os ingressos esgotados. Uma data extra, no mesmo local, foi aberta para 31 de julho. Em entrevista exclusiva à Revista CARAS, Xuxa revela detalhes do show que está prestes a decolar. O Último Voo da Nave já foi anunciado como a despedida da nave, como celebração dos 40 anos de estreia do Xou da Xuxa, como a sua última turnê em estádios… 

Enfim, qual é a motivação principal desse show?

Quero que as gerações que cresceram comigo voltem a ser criança e se divirtam ao máximo. Meu maior desejo é que eu consiga entregar o melhor para essas pessoas. Muita gente me fala que, quando saio da nave, lembram daquela pessoa que fez a infância delas melhor, que proporcionou momentos alegres a elas. Então, farei a nave presente mais uma vez. Entregarei o melhor que eu puder para, depois, não precisar mais me apresentar com a nave, pois cada vez que ela abre, esperam me ver com chuquinhas, botas, roupas dos anos 1980… A turnê será a chance para a magia e a nostalgia de uma época se materializar na frente das pessoas. Depois, gostaria que as pessoas relaxassem como eu, me vissem com a idade que tenho, respirassem fundo, entendessem que fechei um ciclo e aposentei a nave, deixando as lembranças, mas sem querer que isso aconteça de novo.

Um dos seus desejos era fazer a nave chegar bem perto do seu público. Vai acontecer?

Fora do País haveria essa chance. No Brasil, as leis são diferentes das de outros países. Aqui, não podemos colocar a nave com vários drones passando por cima das pessoas, como era minha vontade. Deixarei nas mãos dos realizadores. Mas com a ideia de que a nave esteja em 360 graus e chegue o mais perto possível do público. Estou curiosa para saber como será e, com certeza, terá uma solução.

Dos seus pedidos para o diretor artístico do show, o Kley Tarcitano, qual sente que foi mais desafiador para ele realizar?

A nave mesmo. Ele viu uma nave inflável na Austrália, uma nave com drones na China… Não sabemos como o Kley e a produtora 30e farão isso acontecer. É um grande desafio.

O show está todo idealizado?

Sim. Já temos os desenhos das minhas roupas, das bailarinas, das paquitas, mas não começamos a produzir. As músicas estão todas feitas. Só falta colocar voz em algumas canções em espanhol, porque quero terminar a turnê na Argentina. Os conteúdos exibidos no telão ainda não foram produzidos. Queremos imagem de arquivo para misturar com IA e efeitos…

Quantos figurinos vai usar?

Três! Mas não direi quem fará ainda porque muita coisa pode mudar. A primeira roupa é a que desço da nave. E terei duas atrações para eu me trocar duas vezes.

O espetáculo será dividido em fases de sua carreira ou será um mix?

Tudo se mistura, não terá ordem cronológica. Faremos divisões por blocos, como o bloco Xou da Xuxa, da Natureza…

Canções em espanhol e inglês estarão no repertório?

São 1h40 de show. No Brasil, as músicas serão em português, mas terá Ilariê em português, inglês e espanhol para mostrar aonde a nave me levou. Na Argentina, a maioria das músicas será em espanhol, mas teremos canções em português.

É verdade que o Junno participará do espetáculo e cantará uma música inédita com você?

Tínhamos pensado nisso, mas como ele está com muito trabalho, em cartaz com musical, e não sabíamos a data de estreia da turnê, além das outras possíveis datas a serem fechadas, não faremos desta vez. Mas gostaria de, um dia, cantar com o Ju a música que ele fez.

O Junno, a Sasha e o João são muito criativos. Eles palpitaram na criação do espetáculo?

Mostrei as roupas para a Sasha e pedi a opinião dela. E sobre música, pergunto tudo para o Ju, pois ele entende muito. Quando fui ao estúdio colocar voz, ele me acompanhou. Deixo ele falar com Lu Miranda, que fez a magia de trazer mais modernidade para as músicas gravadas naquela época.

Ex-integrantes da sua turma farão parte do show?

Sim. O balé se vestirá de paquitas e paquitos, mas espero que as paquitas verdadeiras possam ir. Gostaria que cantassem um pot-pourri das músicas delas e encerrassem com a canção que o Ju fez para o doc Pra Sempre Paquitas.

O encerramento da turnê será na Argentina?

Esse é um dos meus pedidos para o Kley e a 30e, que a gente se apresente em todos os lugares que surgirão, pois dependerá da vontade das pessoas quererem me ver na cidade delas, e encerremos na Argentina.

Você declarou temer fazer shows em estádios por crer que poderiam não se interessar por uma apresentação sua em um lugar grande. Mas a primeira data lotou rapidamente. O que a deixou insegura?

O fato de não estar lançando músicas novas, além do XSPB 14. Não tenho um programa de TV para divulgar… Realmente, o show é para devolver um pouco de tudo que recebi esses anos todos. É minha forma de dizer às pessoas que quero vê-las felizes, mas não sei se lotará estádios. Então, me deu um pouco de medo. Quando esgotaram os convites da primeira data, fiquei feliz, envaidecida e esperançosa de que isso aconteça em vários lugares. A minha vontade é levar alegria por meio do que aconteceu na minha história, que se cruza com a história de diversas pessoas.

Como tem sido desenvolver um show voltado para um público formado por tantas gerações?

Não vejo dificuldade nisso, porque pensamos no melhor estilista, no melhor iluminador, no melhor cenógrafo. Qualquer pessoa, de qualquer lugar e idade gostará de ver um show bem-feito.

Você se submeteu a uma cirurgia para tratar uma hérnia de disco pensando nas apresentações ou foi algo inesperado?

Comecei a ter dores no joelho oposto que operei em janeiro e descobri que era um problema na coluna. Tentei cuidados para conviver com essa dor que ia e voltava. Mas como ando muito e me exercito diariamente, desgastou mais a minha coluna. A cirurgia foi a melhor opção para o show e para mim, pois a dor foi embora.

Você fez implante capilar, a ideia era estar com os cabelos compridos para a turnê?

Para a turnê, a minha ideia era raspar a cabeça, usar perucas… Operar foi libertador, porque não estava gostando de ver minhas fotos de costas, aquele buraco na cabeça, o pouco cabelo… Fiz o implante e funcionou. Sigo com pouco cabelo, não dá para fazer rabo de cavalo, mas está melhor do que antes. Amei o resultado e recomendo para as mulheres que queiram e podem fazer. O implante não é privilégio só dos homens.

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