A manhã de sábado (3), foi marcada por sentimentos mistos de esperança e cautela entre venezuelanos que vivem em Manaus após a notícia da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O episódio reacendeu a possibilidade de mudanças no país e levantou questionamentos sobre o futuro de milhares de refugiados que deixaram a Venezuela nos últimos anos.
A captura de Nicolás Maduro ocorreu após uma ofensiva militar dos Estados Unidos na madrugada de sábado. Houve explosões em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Além do presidente, a primeira-dama Cilia Flores também foi capturada. A fronteira da Venezuela com o Brasil, em Pacaraima (RR), chegou a ser fechada, mas foi reaberta ainda durante a tarde. A cozinheira Luiza Maria Villa Fana, de 35 anos, foi acordada ainda de madrugada pelo filho mais novo, de 11 anos, com a notícia que rapidamente se espalhava entre familiares e amigos.
“Ele me chamou dizendo: ‘mamãe, capturaram Maduro’. Eu pensei que fosse brincadeira, mas ele estava muito feliz, dizendo que agora ia melhorar e que a gente podia voltar. Quando acordei, por volta das 6h, vi as notícias e minha família inteira já estava me ligando”, contou.
Luiza mora com os três filhos na Zona Leste de Manaus. Formada em Administração de Empresas, ela deixou a Venezuela em 2019 para fugir da crise econômica e da falta de alimentos.
“A crise estava muito forte. O salário já não dava para nada, principalmente para comprar comida. Lá a gente não paga aluguel, nem água, nem luz, mas o problema era a comida. Não dava mesmo”, relatou.
Mesmo diante da mudança no cenário político, Luiza afirma que não pensa em retornar à Venezuela neste momento. Ela diz que prefere seguir construindo a vida no Brasil.
“Meu sonho é que meus filhos se formem e tenham um futuro melhor. Eu me formei, mas foi muito difícil, ainda mais depois que vim para cá. Quero que eles tenham oportunidades e uma vida melhor”, concluiu.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, o Amazonas é o segundo estado brasileiro com maior concentração de venezuelanos, com 30.868 imigrantes. Roraima lidera o ranking, com 59.163 pessoas. Especialistas alertam que o cenário político instável pode, inicialmente, aumentar o fluxo migratório.
De acordo com o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Américo Lyra, o momento ainda é de incerteza.
“A possibilidade maior é de um fluxo migratório mais consistente de fuga do país, principalmente pelo medo da instabilidade. Economicamente, a tendência é de um grande desequilíbrio, ainda mais diante do que foi anunciado pelos Estados Unidos sobre uma transição política que ninguém sabe ao certo como será”, explicou.
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