Poucas pessoas sabem, mas uma das maiores organizações do agronegócio brasileiro tem uma origem pouco comum entre gigantes do setor. Fundada em 1964, no município de Missal, no oeste do Paraná, a Lar Cooperativa nasceu da iniciativa de um padre, José Backes, e de 55 agricultores que buscavam estruturar a produção e garantir acesso a mercados em uma região em processo de colonização. Décadas depois, a cooperativa se consolidou como um grupo com atuação no agro, no varejo e na indústria de proteínas, com presença internacional e faturamento superior a R$ 20 bilhões em 2024.
A criação da cooperativa, inicialmente chamada de Comasil, foi uma resposta à falta de infraestrutura, às dificuldades logísticas e à escassez de crédito enfrentadas pelas famílias que haviam migrado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Sob a liderança de Backes, o modelo priorizava decisões coletivas e compartilhamento de recursos, estratégia que ajudou a manter o grupo unido nos primeiros anos. Na década de 1970, a entidade passou a se chamar Cotrefal e transferiu sua sede para Medianeira, ampliando a capacidade de armazenamento e o recebimento de grãos. Nos anos 1980, a cooperativa iniciou um processo de industrialização e adotou o nome Lar, marca que passaria a representar a organização nacionalmente.
A partir de 1999, com a inauguração de uma unidade industrial de aves, o grupo avançou na integração de diferentes etapas da cadeia produtiva. A profissionalização da gestão e a expansão territorial marcaram os anos seguintes. Atualmente, a Lar reúne mais de 15 mil associados e cerca de 25 mil colaboradores. Exporta para 100 países e mantém operações no setor. A cooperativa afirma que trajetória reflete governança e adaptação às mudanças do mercado.
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