O Fio Maravilha. O Jorge Benjor. A Música. A Briga na Justiça e a Reconciliação

 



O Brasil e o mundo conhecem a obra Fio Maravilha do renomado cantor e compositor brasileiro Jorge Ben Jor, o que pouca gente sabe é que essa composição, que ganhou o Festival Internacional da Canção de 1972 na voz de Maria Alcina, gerou processo judicial e até mudou de nome em razão de uma disputa envolvendo propriedade intelectual. João Batista de Sales, mais conhecido como Fio Maravilha, é um ex-jogador de futebol que atuou no Flamengo entre os anos de 1965 e 1973. Jorge Ben, como bom flamenguista, estava nas arquibancadas do Maracanã em 15 de janeiro de 1972 para acompanhar a jornada do time da Gávea contra o Benfica, de Portugal.

O Flamengo não estava muito bem no jogo. A equipe lusitana pressionava e chegava perto de abrir o placar. O jogo era amarrado, truncado, pegado. A torcida, pressentindo o pior, deu a letra: FIO! Zagallo, então treinador do Flamengo, persuadido pelos gritos vindos da arquibancada, atendeu o desejo da massa e colocou o jogador em campo. Pouco tempo depois, Fio, como narra a letra, “chegou com inspiração, com muito amor, com emoção, com explosão em gol, sacudindo a torcida aos 33 minutos do segundo tempo, depois de fazer uma jogada celestial em gol”.

O narrador Jorge Ben Jor descreveu a jogada: “tabelou, driblou dois zagueiros, deu um toque, driblou o goleiro, só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol. Foi um gol de classe, onde ele mostrou sua malícia e sua raça”. Depois, o êxtase: “Fio Maravilha, nós gostamos de você. Fio Maravilha, faz mais um pra gente ver”. A letra genial e um dos maiores sucessos da carreira de Jorge Ben Jor alcançou sucesso nacional e internacionalmente. A música concorreu no Festival Internacional da Canção em 1972, interpretada por Maria Alcina, no Maracanãzinho. Uma música sobre um jogador do Flamengo, concorrendo a um prêmio no Maracanãzinho não poderia ter outro desempenho. A música venceu a fase nacional e internacional, sagrando-se a grande campeã do Festival, tendo, ainda, menção honrosa do júri internacional. Em abril de 1973 circulava nos jornais que a composição estava entre as mais tocadas de Paris.

Em outubro de 1973, pouco tempo depois do lançamento, o advogado de Fio entrou com uma ação judicial requerendo uma parte da arrecadação com os direitos autorais sobre a música. O jogador perdeu a ação. Jorge Ben, mesmo tendo ganhado o processo, ficou magoado com a atitude e decidiu mudar o nome da música para Filho Maravilha. 

À época , Fio morava nos Estados Unidos, e fez questão de mandar um recado pra Jorge, agradecendo pela reverência e afirmando que ele podia voltar a cantar 'Fio Maravilha'. Procurado e devidamente avisado, Jorge fez questão de convidar o ex-jogador para um show e disse que não tem rancor. Um belo final para a história de um hino de ode ao futebol escrito por um fã ilustre.

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