O Maranhão. Bacabal. A Mata Fechada. As Crianças Desaparecidas. O 11º Dia de Buscas. A Família e a Angústia
O Antagônico passa a acompanhar, a partir desta quarta-feira,14, o rumoroso caso envolvendo o desaparecimento de crianças no interior do Maranhão. Desaparecidos há onze dias, os irmãos Ágatha Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4, estão sendo procurados por uma força-tarefa que reúne equipes de resgate do Maranhão e do Exército. As crianças desapareceram na tarde de domingo, 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma área de mata na região do Quilombo de São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal (MA).
Três dias após o desaparecimento, uma das crianças que também estava desaparecida foi encontrada por produtores rurais na zona rural do município. O menino de 8 anos estava desorientado e, desde então, encontra-se internado no Hospital Geral de Bacabal, onde recebe acompanhamento médico e psicológico.
“Só vamos parar quando encontrarmos as duas crianças que estão faltando”, afirmou o coronel Wallace Amorim, comandante-geral da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA).
Segundo o coronel, as buscas pelos irmãos Ágata Isabelle e Allan Michael que chegam ao 11º dia nesta quarta-feira (14), contam até com o apoio de militares que estavam de férias, de folga, entre outras condições.
“Militarismo não trabalha, somos vocacionados. Muitos policiais aqui estão de férias, licença prêmio, na sua folga, indo para ajudar. Assim como a sociedade local, que acompanha aqui dentro dos matos. A gente encontra muita gente a pé, a cavalo, de moto”, destacou o comandante da PM-MA.
Com o passar dos dias, a angústia da família aumenta e mais de 600 pessoas estão envolvidas nas buscas. Apesar de ainda não haver pistas sobre o paradeiro de Ágatha e Allan, as equipes seguem com os trabalhos de resgate 24 horas por dia.
No domingo (11), a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) informou que a força-tarefa permanece mobilizada e totalmente empenhada em localizar os dois irmãos. “Todas as forças de segurança que atuam na região, com apoio de voluntários, seguem realizando buscas intensivas. A área apresenta características de difícil acesso, com grandes trechos de mata densa, presença de palmeiras e árvores de grande porte, áreas com vegetação espinhosa, trechos descampados e secos, além de áreas alagadas e diversos cursos d’água”, destacou a SSP-MA, por meio de nota.
Ainda de acordo com a SSP, as bases de buscas estão montadas em dois pontos estratégicos: no povoado São Sebastião dos Pretos, local de residência das crianças, e no povoado Santa Rosa, nas proximidades da mata onde Anderson Kauã foi localizado. As duas localidades ficam distante cerca de 20 km da sede do município de Bacabal. Em ambos os locais, a Prefeitura de Bacabal estruturou uma ampla logística para dar suporte às forças de segurança e aos voluntários, com tendas, alimentação, água, ambulância e outros.
A SSP-MA informou ainda que, paralelo às buscas, a Polícia Civil segue investigando o caso. E, como parte das apurações, a Perícia Oficial realiza todos os levantamentos periciais necessárias para a obtenção de elementos que possam contribuir para a localização das crianças. Quatro peritos do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) chegaram em Bacabal para acompanhar o caso. A equipe multidisciplinar inclui psicólogo e assistente social, que estão realizando perícias psicológica e social, ouvindo os parentes das crianças.
O menino Anderson Kauã também será ouvido pelo IPCA quando houver autorização dos órgãos de proteção à criança e ao adolescente. O IPCA é um órgão governamental da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão, vinculado à Perícia Oficial de Natureza Criminal. O Instituto realiza perícia médico legal, psicológica e social em crianças e adolescente, supostamente vítimas de violência sexual, a fim de subsidiar inquéritos policiais ou processos judiciais.
Voluntários encontraram peças de roupas infantis em uma região de mato, dentro da área de buscas pelos irmãos Ágata Isabelle e Allan Michael. Segundo um dos voluntários, as peças estavam perto de uma grota, em região de mato alto, ainda dentro do povoado quilombola São Sebastião dos Pretos, onde as crianças sumiram. Além das roupas, havia uma xícara de porcelana. A Polícia Civil deve analisar as peças. Essa é a segunda vez que roupas infantis são encontradas na região de mata durante as buscas. No fim da manhã de quinta-feira (8), um calção e uma sandália foram localizados em uma área de mato.
Após investigação da polícia civil, constatou-se que as peças eram do menino Anderson Kauã, que estava desaparecido junto com os primos Ágata e Allan e foi encontrado por carroceiros ainda na quinta. As buscas pelas crianças, que estão concentradas na região dos lagos, entre o povoado Santa Rosa e o Quilombo São Sebastião dos Pretos, contam com o apoio de duas aeronaves do Centro Tático Aéreo (CTA), drones com sensor térmico e cães farejadores. Segundo informações do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), mesmo na escuridão, a tecnologia é usada para ajudar na procura pelas crianças.
Durante operação noturna, o Corpo de Bombeiros utiliza drone com câmera térmica, capaz de identificar seres vivos por meio da variação de temperatura. O equipamento auxilia no monitoramento, inclusive, em áreas de difícil visibilidade.
"As equipes utilizam duas aeronaves da SSP para sobrevoo da área de mata, drones — inclusive com tecnologia termal para buscas noturnas —, cães farejadores do canil do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, além de outros recursos operacionais", destacou a SPP-MA.
A região das buscas é composta por vegetação fechada, com espinhos, áreas alagadas, rios e lagos. Os agentes de segurança avançam dia a dia por terrenos de extremo risco e difícil acesso.
Mais de 600 pessoas nas buscas - A SSP-MA destacou que a força-tarefa coordenada pela Secretaria mobiliza mais de 500 agentes, entre policiais civis, policiais militares, bombeiros militares, Força Estadual, Centro Tático Aéreo (CTA), Inteligência, Perícia Oficial, equipes da Prefeitura de Bacabal, por meio da Guarda Municipal, Defesa Civil e homens do Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro. Há, ainda, a participação de voluntários da comunidade local e regiões vizinhas. Ao todo, mais de 600 pessoas, entre agentes de segurança e voluntários, buscam pelos irmãos, de acordo com infomações oficiais da Segurança Pública do Maranhão.
As equipes se concentram em uma área onde há um lago de 800 metros, região onde roupas de Anderson Kauã, de 8 anos, foram achadas na quinta-feira (8). Além dos objetos encontrados, o relato do menino também levou a crer que os irmãos possam estar na região. Anderson Kauã, que é primo de Ágata e Allan, afirmou ter deixado os dois no local enquanto buscava ajuda. O relato do primo dos desaparecidos foi feito aos pais e à psicóloga, que o acompanha no hospital onde está internado.
Segundo a criança, o grupo teria passado por um lago, onde ele deixou os primos antes de sair em busca de socorro. O menino foi encontrado na quarta-feira (7). Centenas de voluntários se uniram às forças de segurança no Maranhão para procurar os irmãos que desapareceram no domingo (4). A cada dia, novos voluntários chegam para reforçar as equipes que atuam sem parar. Juscelino Morais, pedreiro, integra um grupo de 50 pessoas de um povoado a 40 km da base de apoio.
“Nosso desejo é encontrar as crianças vivas. Viemos em mais de 50 pessoas e vamos ficar até a noite ajudando”, disse. Antônio Pereira Brito, encarregado de asfalto, também deixou o trabalho para se unir às buscas.
“Quem tem filho se coloca no lugar. Viemos dar força para a comunidade”, afirmou. Pedro Ferreira, pescador, reforça a esperança:
“A vontade é grande. Se Deus quiser, vamos encontrar.”
Quem não conhece a região conta com a orientação dos moradores, que indicam trilhas e caminhos antigos.
“Alguns jovens conhecem bem a área e lembraram de uma estrada antiga que dá acesso a São Sebastião dos Pretos. A intenção é atravessar por esse caminho”, explicou um voluntário.
O caso ganhou ainda mais atenção porque Anderson Kauan, de 8 anos, que também estava desaparecido, foi encontrado por produtores rurais há dois dias e segue internado em observação. A estrada onde Anderson foi localizado fica a cerca de 100 metros do rio Mearim. Por isso, moradores com embarcações também ajudam, percorrendo o rio em busca de pistas. A região onde três crianças desapareceram na zona rural de Bacabal (MA) é marcada por vegetação fechada, áreas de pasto e açudes, segundo o Corpo de Bombeiros.
A área de buscas, que possui cerca de 15 km², fica entre o Quilombo de São Sebastião dos Pretos e o Povoado de Santa Rosa, onde o menino de 8 anos foi encontrado, a aproximadamente 4 km em linha reta do local do desaparecimento. De acordo com o tenente-coronel Marcos Bittencourt, o terreno é irregular, com poucas trilhas, difícil acesso e diferentes tipos de vegetação.
“O terreno é de uma vegetação, parte em pasto e parte em vegetação densa. Também temos açudes e lagos, e essa região onde temos os açudes e lagos tem uma predominância de vegetação um pouco mais fechada, inclusive com espinhos”, explica. Além da vegetação fechada, a região não possui energia elétrica e apresenta riscos adicionais, como a presença de armadilhas instaladas por caçadores, prática comum na área.
Segundo o tenente-coronel, esses dispositivos podem causar acidentes e dificultar o deslocamento seguro de bombeiros e voluntários. Durante as buscas, equipes encontraram serpentes na área, o que exige atenção redobrada dos bombeiros. A mata também concentra muitos insetos e outros animais silvestres.
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