O Robertinho do Recife. Os Acidentes A Platina na Perna. O Braço e os Parafusos. Os EUA e a Paralisia Facial
Robertinho do Recife, um dos maiores guitarristas do Brasil, já passou por poucas e boas e pode ser considerado, acima de tudo, um forte. Isso porque ele já sofreu vários acidentes, que resultaram em platina na perna e parafusos nos braços, além de paralisia facial. O músico também teve um infarto que lhe obrigou a colocar cinco stents.
Quando tinha 10 anos, a caminho de uma quadrilha junina, Robertinho do Recife, um dos maiores guitarristas do Brasil, foi atropelado por um carro. Passou dois dias em coma, colocou platina na perna. Ficou quase um ano deitado, sem poder andar. Começou a tocar ainda menino, sendo logo apontado como guitarrista prodígio. Aos 12 anos, já considerado virtuose, apresentava-se tocando até com os pés.
A família, que sempre morou na zona norte do Recife, contava muitos músicos, incluindo tios, primos e sua mãe, Ana Clea, que havia sido cantora antes de casar. Ainda como aluno de seminário, estudou música sacra. Foi convidado a entrar em bandas, fazer shows em boates em que não era permitida a entrada de menores, em conjuntos como Os Moderatos, banda de baile, e Os Bambinos, que tocavam em festas tropicalistas do Recife e também na TV Jornal.
Paralisia facial - No final dos anos 1960, acompanhou alguns ídolos da Jovem Guarda, como Rosemary e Jerry Adriani. Em 1971, foi para os Estados Unidos, onde tocou em bandas de country e blues. Por mais que a experiência tenha sido positiva, houve outro acidente grave de carro, que o deixou em coma, depois da paralisia temporária na face, numa fase de dependência das drogas. Voltou para o Recife e, para se recuperar, buscou um retiro espiritual, estudando no Seminário Teológico do Norte. Tocava em igrejas e foi numa delas que Fagner o viu tocar pela primeira vez, o que resultou numa longa parceria. A aceitação da música "Frevo dos palhaços" foi boa.
A estreia em disco solo, "Jardim da infância", de 1977, acontece numa fase de afirmação dos artistas através do trabalho de cada um, de formação de público. E vários elementos do LP evidenciam isso: na capa deslumbrante de Fausto Nilo, também parceiro em várias letras do disco; nos vocais de Elba Ramalho, Amelinha e Fagner, que assina a coprodução; na sanfona de Sivuca, no trompete de Márcio Montarroyos; no baixo de Itiberê. Jazz e rock, música nordestina, indiana, flamenca.
Em 1978, Robertinho voltou sua atenção para o frevo e lançou o álbum "Robertinho no Passo" ao lado de Hermeto Pascoal. Outra influência forte no som daquele disco, segundo Robertinho, é a tradição indígena. O disco, na época, foi uma das apostas da gravadora para o carnaval. Realiza a turnê Tropical, como músico de Gal Costa, de onde veio inspiração para seu terceiro álbum, "Loucos Swings Tropicais". Ritmos latinos em destaque, participação de Gal em "Merengue" e o duelo entre guitarra e vocoder, em "Papo de guitarrista".
Em 1984, grava a música "É de chocolate" junto com o Trem da Alegria, que vira um grande sucesso, pelo qual recebeu o disco de platina. Em 1985, Robertinho, juntamente com sua banda, o Metal Mania, abriu shows da banda norte-americana Quiet Riot, em São Paulo (26 de abril, no Corinthians), Rio de Janeiro (no Maracanãzinho) e Porto Alegre (no Gigantinho). No último show, no Mineirinho em Belo Horizonte, a banda se ausentou devido a uma greve dos aeroviários.
Em 1988, Robertinho fundou o grupo musical Yahoo, porém deixou a banda um ano e meio após sua fundação, em 1989. A banda ficou bastante conhecida por fazer versões de grandes sucessos internacionais com letras em português. Robertinho de Recife teve o auge de sua carreira nos anos 70 e 80 e depois se dedicou a produzir artisticamente, nomes como Xuxa, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Raimundo Fagner. Havia optado uma vez por deixar a carreira musical de lado, negando um convite para integrar o grupo americano Chicago, porém, foi convidado pelo cantor Fagner na década de 1980.
Infarto - A partir de 1990, se afasta dos palcos. Por muito tempo, trabalhou como produtor musical em seu estúdio, o Special Discos, no Rio de Janeiro. Um dos trabalhos mais relevantes foi o álbum "Flor da Paraíba", da cantora brasileira Elba Ramalho, lançado em 1998. Em 2012, o músico sofre um acidente, onde fratura o braço esquerdo, no qual são colocados 18 parafusos. Depois de 25 anos, volta aos palcos em 2014, com a reedição do show "Rapsódia Rock". Neste mesmo ano, em março, sofre um infarto e vai para a UTI do Hospital Copa D”Or, no Rio de Janeiro, para cirurgia cardíaca, onde são colocados cinco stents para desentupir artérias que dão acesso ao coração. Também neste ano, reúne novamente o Metal Mania, para lançar o álbum "Metal Mania – Back for More". Em 2017, lança o EP "Wild" com o Metal Mania, nas plataformas digitais.
Em 2019, lança com Zé Ramalho hits metaleiros com versões em português: "Sr. Ozzy" (versão de Mr. Crowley de Ozzy Osbourne) e "Ás de espadas" (versão de Ace of Spades da banda Motörhead). Também planejava lançar disco de baladas com o cantor Andre Matos, que veio a falecer neste ano. Em 2020, vira tema de uma série documental chamada "Robertinho de Recife? Robertinho do Mundo!", dirigido por Claudia André, e transmitido no canal por assinatura Music Box Brazil. Neste mesmo ano, anuncia o fim da banda Metal Mania.
Além do episódio do convite da banda Chicago para tocar com eles, tocou em várias bandas de destaque internacional como Watch Pocket, com a sua banda MetalMania, dividiu o palco com várias atrações internacionais como: Quiet Riot, Deep Purple, Judas Priest, Accept, e também fez uma participação especial na apresentação da banda Manowar, no Monster´s of Rock 2015, em São Paulo.
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