O Sintsep Pará. A Silvia Letícia. As Manobras Eleitorais. O Grupo Político. Os Interesses Particulares


 

O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Pará (SINTSEP-PA) atravessa um dos períodos mais conturbados de sua história recente. Documentos e relatos apontam para um cenário de supostas manobras eleitorais, aparelhamento financeiro e graves denúncias de crimes que colocam em xeque a integridade da atual gestão e da comissão eleitoral do sindicato. 

No centro da polêmica está Sílvia Letícia, ex-vereadora e atual coordenadora do SINTEPP Belém. Ela é acusada de transformar o SINTSEP-PA em um "aparelhamento financeiro" para sustentar um grupo político específico e atender a interesses particulares. Malabarismos estariam sendo realizados pela gestão, com suposto apoio da comissão eleitoral, para afastar a concorrência e perpetuar o grupo no poder no próximo triênio.

Um Boletim de Ocorrência, datado de janeiro de 2026 aponta que Douglas Diniz, marido de Sílvia Letícia, teria tentado agredir fisicamente e proferido insultos a um servidor federal que tentava registrar uma chapa de oposição. Douglas, que não é servidor federal nem sindicalizado, é apontado como responsável pelo controle dos meios de comunicação oficiais do sindicato através de sua empresa. O clima de tensão e as evidências de irregularidades sugerem que o processo eleitoral do SINTSEP-PA para o triênio 2026-2029 será marcado por intensas disputas judiciais e políticas, enquanto a categoria exige transparência e respeito aos estatutos da entidade.

Some-se a isso à crise financeira do Sintsep-PA, que perdeu sua sede histórica em meio a uma dívida trabalhista milionária. Documentos judiciais indicam que, após anos de inércia administrativa, o próprio advogado do sindicato ofereceu o prédio como garantia de penhora em fevereiro de 2025. Apesar de possuir arrecadação considerada elevada, a entidade segue endividada e sem perspectiva concreta de recuperação do imóvel, o que reforça questionamentos sobre a responsabilidade da gestão. 

A falta de transparência financeira é outro eixo central das críticas. A última prestação de contas disponível no site oficial do sindicato é de junho de 2025, com informações consideradas genéricas, incompletas e sem detalhamento adequado de receitas e despesas. Os dados apresentados não permitem identificar com clareza para onde vai o dinheiro da contribuição dos associados, alimentando desconfiança e insatisfação na base.

Para opositores, o conjunto desses fatos configura o que classificam como uma “captura” do sindicato, onde decisões administrativas, eleitorais e financeiras estariam subordinadas a interesses políticos externos. Nesse contexto, a participação de Sílvia Letícia é apontada como estratégica: aliada política da chapa que busca a reeleição, ex-vereadora influente e figura com pessoas de confiança ocupando espaços-chave no processo eleitoral e na estrutura do sindicato. Em respeito ao contraditório deixamos aberto o espaço para manifestação dos citados na matéria.

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