O TJ do Pará. O Rômulo Nunes. A Aposentadoria e a Despedida


 

A 2ª Sessão Ordinária do Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), realizada nesta quarta-feira, 14, foi marcada por forte emoção e solenidade ao homenagear o desembargador decano Rômulo José Ferreira Nunes em sua última participação no colegiado, em virtude de sua aposentadoria. A sessão foi presidida pelo vice-presidente do TJPA, desembargador Luiz Gonzaga da Costa Neto, que conduziu a abertura com um discurso em tributo à trajetória do magistrado.  

“Trata-se de uma magistratura construída no exercício diário da função, no contato direto com as dificuldades reais da Justiça, sem atalhos e sem distanciamento da realidade social. Ao longo dos anos, sua atuação jamais se restringiu à jurisdição. Assumiu responsabilidades administrativas relevantes, integrou comissões estratégicas, participou da organização de concursos, dedicou-se à área da adoção internacional e contribuiu de maneira efetiva para o funcionamento interno do Judiciário”, destacou o desembargador Luiz Neto. 

Em seguida, foi exibido um vídeo institucional que resgatou momentos marcantes de sua vida pessoal e profissional. Na sequência, foram realizadas as homenagens presenciais. O presidente convidou a desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento, que assumirá o posto de decana da Corte, para a entrega da placa comemorativa. Também participou do momento o desembargador Ricardo Ferreira Nunes, irmão do homenageado, responsável pela entrega de uma lembrança simbólica em nome dos(as) amigos(as) que conquistou ao longo da carreira. 

A solenidade contou ainda com apresentação musical do grupo “Agravo de Instrumento”, formado por servidores do Tribunal, com participação especial do desembargador Leonam Gondim da Cruz Júnior, que integrou uma das execuções musicais. Durante a sessão, a palavra foi franqueada aos(às) desembargadores(as) e, em seguida, ao próprio homenageado. Em discurso acalorado, o desembargador Rômulo Nunes destacou que se despedia da Corte por força constitucional. 

“Afasto-me deste Tribunal por contingência do regramento constitucional e saio como entrei, de cabeça erguida, sem nunca ter enodoado a toga que tanto prezei durante todo esse tempo”. Ele recordou sua trajetória iniciada em 1979, a passagem por Comarcas do interior, a chegada à Belém e a promoção ao cargo de desembargador. 

Em tom emocionado, também agradeceu aos(às) colegas, servidores(as) e familiares pelos 46 anos de serviço prestado ao judiciário estadual. 

“Despeço-me deste Tribunal sem qualquer sentimento de mágoa, com serenidade, com o coração pulsando como no dia em que assumi a judicatura, consciente de que cumpri a missão que me foi destinada”. Ao final, simbolicamente, anunciou a transmissão do decanato dando à desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento um broche que pertencia ao decano que antecedeu o desembargador Rômulo Nunes, o desembargador aposentado Milton Augusto de Brito Nobre.  

Ao se pronunciar, a desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento destacou a postura serena e prudente do magistrado. 

“Nós vamos sentir muita falta da sua tranquilidade, da sua sensibilidade e da sua prudência. Vossa Excelência sempre esteve presente de forma silenciosa, porque esse é o seu perfil: o silêncio que orienta e ensina. Espero ter aprendido com o senhor e prosseguir nessa caminhada de luz, mantendo a postura adequada que sempre nos foi ensinada por Vossa Excelência”. 

Representando a família, o desembargador Ricardo Ferreira Nunes relembrou a trajetória pessoal e profissional do irmão. 

“Vossa Excelência sempre foi um magistrado digno, honrado e honesto, um bom pai, bom filho e bom irmão, qualidades que hoje são reconhecidas por esta Corte e por todos(as) que com o senhor conviveram”.

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