O humorista Mauro Faccio Gonçalves, o Zacarias, se estivesse vivo faria 92 anos no próximo domingo,18. O eterno trapalhão nos deixou em março de 1990, vítima de uma insuficiência respiratória. Natural do município mineiro de Sete Lagoas, em sua vida particular, Mauro era descrito pelos amigos como uma pessoa tímida, reservada e caseira, quase um "eremita". O ator gostava de ficar em sua casa e em seu sítio no bairro de Jacarepaguá, onde costumava receber a visita de amigos e familiares durante as folgas das gravações. Considerava-se também uma pessoa ecológica, pois era adepto do cultivo de plantas e hortaliças. Mauro era muito religioso, com forte crença no espiritismo e também um simpatizante da umbanda, religiosidade essa que tornou-se ainda mais forte após o humorista se curar de uma osteomielite, com algumas idas ao centro espírita.
Relacionamentos - De 1958 a 1973, Mauro foi casado com a atriz e dubladora Selma Lopes, a quem conheceu numa ida dela à Minas Gerais para atuar em uma peça. Selma foi sua grande incentivadora no mundo artístico e juntos o casal teve uma filha, Maria Laura Gonçalves. Mesmo separados, os dois permaneceram amigos, tendo Selma atuado ao seu lado em muitos esquetes dos Trapalhões. Após seu divórcio, Mauro teve romances breves; os únicos conhecidos pelo público foram com a cantora Waleska, de 1980 a 1981, e com Idalina Martins Campos, que era 25 anos mais nova que ele, no ano de 1986.
Em abril de 2017 circularam boatos de que Mauro era bissexual, que sua morte prematura teria sido realmente causada pela AIDS e abafada pela imprensa. No entanto, seus amigos e familiares sempre negaram tais informações. No canal do YouTube do radialista Rafael Spaca, foi revelado que o humorista teve um romance de três anos com o ator Jessé Dantas, durante as gravações do filme Os Saltimbancos Trapalhões, e depois conviveu com o também ator Carlos Leite, que cuidou dele quando estava doente.
A discussão voltou à tona em 2024. No último show da The Celebration Tour, da cantora Madonna, que foi realizado na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro, a artista prestou uma homenagem às vítimas da AIDS. Enquanto cantava a música "Live To Tell", fotos de vários famosos que morreram por causa da doença foram exibidos nos telões do palco, com Zacarias entre os homenageados.
Morte - Em dezembro de 1989, durante o período de férias dos Trapalhões, Mauro se sentiu acima do peso e resolveu por conta própria iniciar um regime macrobiótico à base de frutas e saladas, com o auxílio de remédios. Ele acabou perdendo vinte quilos, porém como consequência, seu organismo enfraqueceu, chegando a atingir seus pulmões e lhe deixando com anemia. Sua magreza e palidez repentina chamaram a atenção dos fãs e da mídia, chegando a saírem matérias nos jornais declarando que o ator havia contraído o vírus da AIDS. Tais boatos teriam abalado o psicológico do trapalhão, que estava preocupado com a reação dos fãs, principalmente as crianças. Por conta disso, Mauro isolou-se em sua casa, passando a não atender ligações ou receber visitas.
À época, o humorista se mostrou bastante incomodado com a invasão de privacidade da mídia sensacionalista, bem como pela repercussão negativa que isso estaria gerando entre seus fãs.
"Aceito o direito da imprensa e das pessoas de supor e levantar suspeitas sobre meu estado de saúde, mas nada lhes dá o direito de fazer afirmações concretas com bases em suposições. Querer de mim uma declaração simpática depois disso é brincar com sentimentos e pudores. Tirar meu sossego com a insistência de ligações telefônicas e com repórteres e fotógrafos acampados 24 horas por dia à porta de minha casa, à espera de um flagrante ou descuido, é crueldade e invasão a meu direito de privacidade. Pois que continuem o cerco, nada me fará falar com eles!". Disse Mauro, à época, sobre os boatos de que estaria com HIV, em entrevista para o jornal O Globo, em 8 de março de 1990.
Devido a sua fraqueza e o estado de saúde delicado, Mauro foi impedido pelos médicos de retornar para as gravações dos Trapalhões, iniciadas em janeiro de 1990. Ele precisou se afastar do programa e não chegou a gravar cenas para o quadro Trapa Hotel, onde interpretaria um maítre. O ator teve forças para atuar em seu último filme, Uma Escola Atrapalhada, onde o quarteto fez somente uma participação e sua magreza já estava em evidência. O humorista foi internado por nove dias na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, e morreu em 18 de março de 1990, aos 56 anos, vítima de uma insuficiência respiratória. Ele foi sepultado em sua cidade natal, no Cemitério Parque Santa Helena.
Prêmios e honrarias - Em 1970 ganhou o prêmio de ator revelação, com a peça A Dama do Camarote. Em 1981 foi homenageado pelo cantor Caetano Veloso na canção "Jeito de Corpo". Em 1984 recebeu uma homenagem da Embrafilme, pelo 5° Festival Internacional de Cinema para a Infância e a Juventude de Tomar, em Portugal. Em 1988 recebeu a Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto.
No mesmo ano foi eleito "Embaixador de Sete Lagoas" pela prefeitura da cidade, além de inaugurar o "Anfiteatro Mauro Faccio Gonçalves (Zacarias)" no casarão Nhô Quim Drummond, centro cultural da cidade. No bairro Jardim Guarujá, seu nome foi escolhido como nome de um colégio, a Escola Municipal de Primeiro Grau – Mauro Faccio Gonçalves.
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