Ananindeua. O Daniel Santos. O Caos na Saúde. O Hospital e os R$ 92 Milhões



Enquanto a população de Ananindeua enfrenta filas e falta de insumos básicos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), os bastidores da Secretaria Municipal de Saúde (SESAU) revelam uma realidade paralela de cifras astronômicas e contratos sob suspeita. Investigações do Ministério Público e auditorias de órgãos de controle apontam que a gestão do prefeito Daniel Santos transformou a saúde pública em um balcão de negócios, marcado por superfaturamento de itens simples e favorecimento de empresas ligadas ao seu círculo pessoal. 

Um dos pontos mais alarmantes da investigação diz respeito ao superfaturamento de insumos hospitalares, como seringas e agulhas. Auditorias indicam que a prefeitura teria pago valores muito acima da média de mercado em processos licitatórios com indícios de direcionamento. O impacto desse esquema é sentido na ponta: enquanto o erário era drenado por contratos inflados, as prateleiras dos postos de saúde permaneciam vazias. Para os investigadores, o superfaturamento de itens de baixo custo unitário, mas de altíssimo volume de compra, é uma estratégia clássica de desvio, pois permite camuflar grandes montantes de propina em meio a uma logística complexa de distribuição. 

Outro pilar central das denúncias envolve o Hospital Santa Maria. A unidade de saúde, que pertenceu a Daniel Santos antes de sua ascensão política, tornou-se uma das principais prestadoras de serviço da própria prefeitura que ele comanda. A prefeitura teria destinado ao hospital cerca de R$ 92 milhões ao hospital em um curto período. O MPPA investiga se o fluxo desses pagamentos serviu para capitalizar o patrimônio pessoal do prefeito, utilizando a estrutura pública para beneficiar indiretamente uma empresa com a qual ele mantém laços históricos e financeiros. Enquanto hospitais públicos municipais sofrem com infraestrutura precária, a unidade ligada ao prefeito recebia aportes regulares e vultosos, o que a acusação classifica como uma clara inversão de prioridades administrativas. 

A rede de corrupção na saúde também se estende à contratação de Organizações Sociais (OSs) e empresas de consultoria que, segundo a denúncia, serviam apenas como fachada para o escoamento de verbas. O resultado dessa "gestão por conveniência" é o sucateamento dos serviços essenciais. Relatos de moradores confirmam que, em Ananindeua, procedimentos simples são postergados por meses, enquanto a máquina pública prioriza o pagamento de contratos que hoje estão sob o crivo da justiça. 

O cerco judicial em torno da saúde de Ananindeua reforça a tese da Operação Hades,  de que o desvio de finalidade não era um erro administrativo isolado, mas um método de gestão. Com o avanço das auditorias e a quebra dos sigilos bancários dos envolvidos, o caso da saúde se torna uma das frentes mais pesadas contra Daniel Santos, unindo a prova documental do prejuízo financeiro à prova social do abandono da população que mais depende do serviço público.

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