É uma coincidência. Mas muito relevante. Nos próximos meses, o papa Leão 14 irá nomear praticamente ao mesmo tempo os novos líderes de quatro das mais importantes arquidioceses brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro, as circunscrições mais populosas do país; Aparecida, um dos maiores centros de peregrinação católica do planeta; e Manaus, o coração da Amazônia, região que foi alçada ao protagonismo nas discussões católicas sob o pontificado anterior, do Papa Francisco (1937-2025).
O catarinense Leonardo Ulrich Steiner, que lidera a arquidiocese de Manaus desde 2019, completou 75 anos em novembro do ano passado. Foi o Papa Francisco quem colocou Steiner para comandar Manaus no final de 2019, logo após o Sínodo dos Bispos para a Amazônia, encontro ocorrido no Vaticano que trouxe os holofotes do cristianismo para as questões missionárias e ambientais da mais importante floresta do planeta. Três anos mais tarde, o papa argentino faria dele cardeal. Foi simbolicamente marcante, como o primeiro cardeal da Amazônia.
Arcebispo de São Paulo desde 2007, o gaúcho Odilo Pedro Scherer chegou a esse limite de idade em setembro de 2024. Na ocasião, o então Papa Francisco solicitou que ele ficasse no comando da maior arquidiocese do país até o final de 2026. Já o paulista Orani João Tempesta, que comanda a arquidiocese do Rio desde 2009, completou 75 anos em junho do ano passado. Na resposta ao seu pedido de renúncia, o papa determinou, a exemplo do que ocorreu com seu homólogo de São Paulo, que ele exercesse a função por mais dois anos.
Há dez anos à frente da arquidiocese de Aparecida, o catarinense Orlando Brandes é um caso sui generis: vai trabalhar na função até os 80 anos, conforme determinou Francisco quando ele apresentou sua renúncia. Brandes nasceu em abril de 1946 e comanda a circunscrição do maior santuário católico do país há quase uma década. Com essas mudanças de comando, Leão tem a oportunidade de imprimir sua visão na alta hierarquia do maior país católico do mundo. Para especialistas, esta será a hora crucial em que o papa americano pode começar a jogar com as cartas que tem na mão nos debates mais relevantes acerca dos desafios contemporâneos.
Os atuais líderes dessas dioceses estão na idade limite para a aposentadoria compulsória determinada pelas regras da Igreja Católica. A norma, prevista no Código de Direito Canônico, é que um bispo, quando está prestes a completar 75 anos, apresente um pedido de renúncia ao papa. O Vaticano, então, combina um prazo para que o bastão seja passado ao sucessor. E nomeia um novo religioso para o cargo. Por padrão, embora não seja uma regra formal, um bispo aposentado, então, passa a ser reconhecido como emérito de sua última diocese. Deixa de ter papel executivo, mas segue sendo respeitado simbolicamente.
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