O Paysandu. As Dívidas de R$ 16 Milhões. A Recuperação Judicial. Os Credores e as Incertezas


 

O pleito de recuperação judicial do Paysandu não passou pelo Conselho Deliberativo. Foi decisão da diretoria do clube. Como o Papão terá eleições no final do ano, fica a incerteza sobre quem, nos dois próximos anos, vai responder pelo clube ao Ministério Público, ao administrador judicial e à assembleia dos credores. O clube busca renegociar débito estimado em pouco mais de R$ 16 milhões. O ex-presidente do Paysandu, Roger Aguilera, aparece como um dos maiores credores individuais do clube no processo de recuperação judicial que tramita na justiça do Pará. 

De acordo com a relação oficial de credores apresentada no processo, Aguilera tem a receber R$ 12.371.000,00, valor classificado como crédito quirografário, decorrente de empréstimos/mútuos feitos ao clube. No entanto, Aguilera diz que não vai cobrar o clube e que entrou com processo para solicitar a retirada do nome da relação de credores. 

“Como fui o último presidente deve ter havido algum equívoco, sobretudo em relação a assinaturas. O que eu coloquei de dinheiro do clube é uma doação. Jamais será cobrado", disse Roger. 

Entre os casos de maior impacto está o do técnico Hélio dos Anjos, que cobra aproximadamente R$ 2,6 milhões em verbas rescisórias, premiações e FGTS. A condenação foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8) em dezembro de 2025. O maior valor individual é pleiteado pelo volante Leandro Vilela, que reivindica cerca de R$ 4,05 milhões. Na ação, o jogador alega atrasos salariais, uso irregular de direitos de imagem e ausência de seguro obrigatório após sofrer lesão grave. 

O atacante André Lima também ingressou com processo após sua passagem pelo clube em 2025, cobrando mais de R$ 1,6 milhão. Outros casos incluem o lateral-esquerdo PK, que move ação de R$ 523 mil na 19ª Vara do Trabalho de Belém, com audiência prevista para 2026; o técnico Luizinho Lopes, que cobra R$ 351 mil em valores contratuais; e o atacante Jorge Benítez, que pleiteia R$ 333 mil. Ele é o sétimo jogador do elenco de 2025 a acionar judicialmente o clube. 

Também tramitam ações movidas pelos atletas Giovanni e Wesley Fraga, que cobram direitos trabalhistas e valores relacionados a contratos de imagem. Os montantes desses processos correm sob sigilo. Além das ações individuais, o Paysandu sofreu uma condenação relevante envolvendo um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2008.

Em setembro de 2025, a justiça determinou o pagamento de R$ 1,5 milhão por atrasos salariais registrados em 2024. O entendimento foi de que o clube descumpriu o acordo histórico que previa a manutenção dos salários em dia, o que resultou na aplicação cumulativa da multa. Nomes como os dos ex-jogadores do clube Matheus Nogueira, Maurício Garcez, Maurício Antônio, Marcelinho e Marlon aparecem na lista. Juntos, os jogadores cobram mais de R$ 1 milhão do clube em dívidas trabalhistas. 

O maior valor entre os atletas é do goleiro Matheus Nogueira, que atuou no Papão por três temporadas, entre 2023 e 2025. O arqueiro cobra R$ 386.236,10. Destaque do Paysandu na Série B de 2025, Maurício Garcez, que atualmente defende a Chapecoense-SC, tem um total de R$ 266.546,08 a receber. Já Marlon pede R$ 180 mil, enquanto Maurício Antônio R$ 88.658,38 e Marcelinho R$ 119.999,98. 

Além dos ex-jogadores, a lista também tem nomes que ainda atuam pelo clube bicolor, como Edílson e o goleiro Gabriel Mesquita. Conforme consta no documento, o lateral cobra R$ 117 mil por questões trabalhistas, que podem envolver atraso de salário, FGTS e outros. Já a dívida com o goleiro do Bicola é de R$ 102.511,40.

O Paysandu também possui débitos com o ex-executivo de futebol Carlos Frontini. A dívida é de R$ 115 mil. Outro nome que aparece é o do ex-treinador Luizinho Lopes, que esteve à frente do Papão no primeiro semestre de 2025. O técnico possui um crédito de R$ 304 mil, também originado de acordo extrajudicial. 

Márcio Fernandes, também ex-técnico do Bicola, também tem valores a receber. O montante é de R$ 80.000,00. Existe uma lista com 126 nomes, entre pessoas físicas e jurídicas, aos quais o Papão deve. A dívida mais alta do clube é com a União: são mais de R$ 50 milhões. Além disso, o Bicola deve ao município (R$ 3.445.190,02) e ao Estado (R$ 1.474.954,27).

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