A Cidade do Boi Escamado. O Vereador. A Perseguição Ferrenha. A Mãozinha da Toga


 

Não é recomendável convidar para dividir um café com pupunha o grupo político que comanda o município de uma bucólica cidade paraense batizada com nome de peixe dos pastos e o vereador mais votado da cidade. É que os bastidores da recente cassação do parlamentar revelam uma trama que vai muito além de uma simples quebra de decoro. A “rádio peão” aponta para uma articulação cirúrgica visando as eleições de 2028, com direito a uma "mãozinha" providencial da segunda instância do judiciário paraense.

Pelo seu desempenho nas urnas e oposição política ferrenha, o vereador desponta como um fortíssimo candidato à prefeitura no próximo pleito. Ocorre que o parlamentar cometeu a ousadia de gravar vídeos fiscalizando prédios do município, o que resultou em troca de farpas com um “colega” na tribuna. Foi a senha para que o presidente da Câmara e o grupo político do atual prefeito armassem a arapuca da cassação, ceifando o mandato do vereador ao arrepio da lei, garantindo, de quebra, inelegibilidade por oito anos. 

Concorrência eliminada com sucesso! Mas depois da queda veio o coice. Um desembargador de primeira viagem, muito querido por seus pares, só pecando pela teimosia, tem atuado como um  verdadeiro anjo da guarda do grupo político situacionista. A coisa funciona assim: o juiz local devolve o vereador ao cargo e o desembargador cassa a decisão. O vereador, graças a recalcitrância do togado, já tá prestes a pedir música no Fantástico. 

Trocando em miúdos, na cidade onde o “boi tem escamas”, na briga do mar com a praia sobrou para o crustáceo, no caso a oposição, que foi varrida do mapa eleitoral de 2028 com a chancela do judiciário e seus amigos agradecendo a eficácia da guilhotina. Mas assim....

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