Belém. O Cabo da Marinha. O Tráfico Humano. A Falsificação de Documento. A Procura do Bebê de 6 Meses
O cabo da reserva da Marinha do Brasil Frank William Pereira Pacheco foi preso em Belém acusado dos crimes de tráfico de pessoas, falsificação de documento público e uso de documento falso. A prisão se deu no decorrer da operação “Origem", deflagrada pela Polícia Civil do Pará. A ação, conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA-DATA Belém) com apoio do Grupo de Trabalho em Vulneráveis (GTV/NIP), mira a localização de um bebê de 6 meses, possível vítima de tráfico humano.
As investigações revelam que Pacheco usou uma Declaração de Nascido Vivo (DNV) extraviada, emitida pela Santa Casa de Misericórdia de Belém para outra criança, para registrar fraudulentamente um recém-nascido. O documento falso indicou a criança como filha de Pacheco e de Sebastian Silva dos Santos, suposta mãe, segundo as investigações. Na verdade, a genitora real deu à luz a outro bebê em agosto de 2025 e, ao buscar o cartório para registrar o filho com a segunda via da DNV, descobriu o registro anterior em seu nome, mas com pai desconhecido e foto divergente na identidade. As perícias papiloscópica e documentos confirmaram as inconsistências biométricas e biográficas, provando a falsidade do documento.
Em nota, a Marinha do Brasil disse que "não compactua com qualquer tipo de conduta que atente contra a dignidade humana, principalmente de crianças e repudia desvios comportamentais que não encontram respaldo nos princípios éticos da Força" e também "reiterou pleno compromisso de cooperar, caso demandada, com as investigações a serem conduzidas pelas autoridades policiais visando o esclarecimento dos fatos e punição de culpados". Inicialmente, o caso apontava para adoção ilegal, mas a polícia agora investiga tráfico de pessoas. Durante as buscas, o bebê de 6 meses registrado como filho de Pacheco não foi encontrado com a família, que nega conhecê-lo.
O investigado alegou ter achado a DNV e documentos na rua, registrando a criança só para obter auxílio-natalidade, insistindo que o bebê "jamais existiu". A versão é considerada inconsistente para a polícia. No histórico policial, Pacheco tem antecedentes por falsificação de documentos de veículos e cumpre pena em regime aberto por esses crimes. Na operação, foi apreendido o celular de Pacheco, que foi interrogado e está à disposição da Justiça. As diligências prosseguem para localizar o bebê, esclarecer a origem dele e identificar outros envolvidos no tráfico de pessoas e falsificação em Belém.
A Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, maternidade de referência no Pará, informou que "fez a entrega da Declaração de Nascido Vivo (DNV) para a acompanhante da genitora" e que, "com a entrega, a responsabilidade pela guarda do documento passou a ser da família".
"A instituição esclarece ainda que emitiu a segunda via do documento após a genitora procurar a unidade e informar a perda da via original. A Santa Casa informa ainda que está colaborando com as investigações", disse a nota.
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