O Carlos Mendes. O Câncer. A Morte aos 76 Anos. O Jornalismo Paraense de Luto


 

Morreu na manhã deste domingo, 31, o jornalista paraense Carlos Mendes, referência no jornalismo do Pará e com passagem por vários veículos de imprensa, entre eles o jornal O Liberal. 

“A morte dele deixa uma lacuna no jornalismo investigativo brasileiro. O Mendes era aquele jornalista que fustigava. Um farejador de notícia. Um repórter nato. Sem dúvida uma perda irreparável para a imprensa”. Lamentou Evandro Corrêa, amigo de Carlos Mendes e editor de O Antagônico.  

A filha do jornalista, Luciana Mendes, explica que o pai enfrentava um câncer há 12 anos. Há menos de dois meses, foi internado após passar mal e descobriram um tumor no cérebro. Mendes chegou a passar por uma cirurgia para retirada do tumor, mas desde então enfrentou vários problemas de saúde. Ele adquiriu infecção hospitalar, o que provocou insuficiência renal crônica do único rim que tinha, já que tinha perdido o outro para o câncer. O jornalista nasceu no dia 19 de dezembro de 1949 e morreu às 9 horas deste domingo, aos 76 anos.

Durante o período de internação, familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores promoveram uma ampla mobilização para doação de sangue, mas infelizmente ele não resistiu as complicações de saúde. A morte de Carlos Mendes representa uma grande perda para o jornalismo do Pará e da Amazônia. Reconhecido pelo compromisso com a informação, pela defesa da democracia e pela atenção permanente às questões sociais, políticas e econômicas da região, ele construiu uma trajetória marcada pela independência editorial e pela busca incansável dos fatos.

Ver- o Fato - Fundador do portal Ver-o-Fato e do programa “Linha de Tiro”, transmitido pelo YouTube, Carlos Mendes transformou-se em uma das principais referências da comunicação paraense. Ao longo da carreira, atuou em diversos veículos de imprensa, destacando-se como repórter especial do Diário do Pará e correspondente em Belém do jornal O Estado de S. Paulo. À frente do Ver-o-Fato, portal especializado na cobertura de temas políticos, econômicos e sociais da Amazônia, manteve uma atuação crítica e vigilante sobre os principais acontecimentos da região, conquistando credibilidade entre leitores, autoridades e colegas de profissão.

Além da cobertura política e econômica, Carlos Mendes ficou nacionalmente conhecido por seu trabalho investigativo sobre a chamada Operação Prato, uma das mais emblemáticas investigações ufológicas realizadas no Brasil. Ainda na década de 1970, quando era repórter do jornal O Estado do Pará, acompanhou de perto os relatos sobre os fenômenos conhecidos como “chupa-chupa”, que assustaram moradores de diversas cidades paraenses. Sua dedicação ao tema resultou no livro-reportagem “Luzes do Medo – Relato de um Repórter na Operação Prato”, obra que resgatou documentos, entrevistas, reportagens censuradas durante o período militar e depoimentos inéditos sobre os acontecimentos registrados em Colares e em outros municípios do Pará. Seu trabalho sobre a Operação Prato ganhou ainda mais relevância recentemente, após a série documental “Investigação Alienígena”, da Netflix, destacar sua atuação como um dos poucos jornalistas brasileiros que investigaram os acontecimentos de forma independente, sem se limitar às versões oficiais divulgadas à época.

Carlos Mendes deixa familiares, amigos, colegas de trabalho e um legado que permanecerá vivo na história do jornalismo paraense. Sua contribuição para a comunicação amazônica, sua defesa da liberdade de imprensa e sua busca permanente pela informação continuarão como referência para as futuras gerações. O velório do Jornalista Carlos Mendes será na capela Max Domini na frente do cemitério Santa Isabel, a partir das 15h deste domingo (31). O cortejo sairá da capela para o crematório do Max Domini em Marituba, na segunda feira (01), às 8h.

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