Dois paraenses foram presos nesta terça-feira, 12, acusados de sequestrar e matar, em Balneário Camboriú, o empresário e advogado Alfredo Fraga dos Santos, de 53 anos. A vítima era dono de uma empreiteira na cidade e fazia parte do movimento Legendários. Werich Mateus Silva Trindade e Erick Kaliel Venâncio de Sousa. Werich, que já e condenado no Pará a 8 anos de prisão pelo sequestro de uma médica em Belém, foi preso em Campinas, no interior de São Paulo, após tentar fugir para o Pará. Ele havia embarcado em um voo no Aeroporto de Navegantes, mas foi capturado durante uma conexão no Aeroporto de Viracopos, em uma ação conjunta das polícias Militar e Federal. Já Erick Kaliel Venâncio de Sousa foi localizado em Blumenau. Com ele, os policiais apreenderam a arma usada no crime e roupas que teriam sido utilizadas no dia da execução.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o empresário Alfredo Fraga dos Santos, de 53 anos, encontrado morto com um tiro na cabeça e os pés amarrados, é sequestrado em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. O crime ocorreu nesta segunda-feira. Um dos matadores, Werich Mateus, era funcionário de Alfredo Fraga e havia sido demitido da empresa há uma semana. As imagens mostram o empresário manobrando um veículo por volta das 6h30 na sede da empresa, no bairro da Barra. O portão do local aparenta apresentar problema para abrir, e ele desce do carro. Nesse momento, dois homens entram na área, um deles ex-funcionário e o outro, comparsa. Em seguida, todos entram em um galpão.
Em outra câmera, já na parte interna, o empresário é rendido pelos suspeitos e colocado em um carro da própria empresa . Ao longo do dia, a polícia identificou transferências bancárias feitas da conta da vítima para a conta de um dos suspeitos. A Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Balneário Camboriú informou que abriu investigação do caso.
Matagal - O corpo do empresário foi encontrado em um matagal às margens da BR-470, no bairro Arraial, em Gaspar, município do interior localizado a cerca de 20 quilômetros de Balneário Camboriú. Um morador que passava pelo local avistou o cadáver e acionou a polícia. O carro do empresário foi encontrado posteriormente em Blumenau, cidade vizinha a Gaspar. Segundo a delegada Luana Backes, os dois suspeitos do crime, de 26 e 20 anos, foram presos ainda na tarde desta segunda: um em Campinas (SP), após fugir de avião depois do crime, e o outro em Blumenau, pela Polícia Militar.
Sequestro de médica - Antes do crime em Santa Catarina, Werich já havia sido condenado pela Justiça do Pará por participação em um sequestro ocorrido em Belém, em junho de 2024. De acordo com a sentença da 9ª Vara Criminal de Belém, a vítima a vítima foi a médica Anna Letícia de Sena Passos, que havia saído de uma festa em um bar no bairro Cidade Velha após discutir com o namorado. As investigações apontaram que Werich atuava como flanelinha nas proximidades do local e convenceu a jovem, que estava alcoolizada, a deixá-lo dirigir o carro dela até em casa.
Durante o trajeto, outro criminoso entrou armado no veículo, anunciou o assalto e aplicou um “mata-leão” na vítima, que perdeu a consciência. A médica acordou horas depois em um cativeiro em Ananindeua, amarrada, vendada e cercada por homens armados. Os sequestradores enviaram fotos e vídeos da vítima presa para familiares enquanto exigiam inicialmente R$ 500 mil pelo resgate. Depois, o valor caiu para R$ 200 mil.
Segundo a decisão judicial, Werich participou diretamente de toda a ação criminosa. Ele teria conduzido o carro da vítima até o cativeiro, ajudado a mantê-la presa e enviado imagens dela amarrada para pressionar a família. A mãe da médica chegou a fazer transferências via Pix aos criminosos enquanto a polícia tentava localizar o esconderijo. As investigações também apontaram que Werich integrava grupos de WhatsApp utilizados para organizar o crime. Além disso, impressões digitais dele foram encontradas no veículo da vítima. O cativeiro acabou descoberto após um dos envolvidos ser preso com o celular da médica.
Durante a operação policial, um sequestrador fez a vítima refém e morreu em confronto com agentes. Mesmo condenado a oito anos de prisão por extorsão mediante sequestro, Werich cumpriria pena inicialmente em regime semiaberto e teve medidas cautelares revogadas ao fim do processo. O sequestro da médica foi arquitetado e coordenado diretamente do Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, sob o comando do paraense João Felipe da Silva Rodrigues Oliveira, vulgo “Spike”, chefe de um grupo de sequestradores no Pará.
Pelo crime do sequestro da médica foram presos, além de “Spike” e Werich Mateus, Manoel Neto Santos de Castro, Michel Augusto das Graças Lobato e Wilker Farias Ferreira. Assista abaixo o vídeo do sequestro do empresário em Balneário Camboriú:
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