O Marido. As Duas Noites na Farra. As Mulheres. A Esposa. A Briga. As Facadas na Sogra


 

Olha só essa história: os jurados do 2º Tribunal do Júri de Belém desclassificaram a acusação de tentativa de homicídio contra Thalita Cleidiane Ferreira Lucena, que esfaqueou a própria sogra, por engano.  Thalita foi condenada pelo crime de lesão corporal leve. A decisão, tomada por maioria dos votos, entendeu que a ré não agiu com dolo ao atingir a sogra, Ana Cristina do Rosário Souza. A sessão foi presidida pelo juiz Homero Lamarão Neto, no Fórum Criminal de Belém. 

Com a desclassificação, a pena aplicada à ré foi fixada em dois meses de detenção, a ser cumprida em regime aberto, com execução na Vara de Penas e Medidas Alternativas da capital. A decisão dos jurados acolheu a tese alternativa apresentada pela defesa, conduzida pelo advogado Felipe Alves. Durante o julgamento, o defensor sustentou inicialmente a absolvição da acusada e, de forma subsidiária, a desclassificação do crime. Ele argumentou que Thalita não teve intenção de ferir a sogra e que as lesões ocorreram de forma acidental, no contexto de uma discussão com o companheiro, com quem mantinha relacionamento há quatro anos.

O promotor de justiça Edson Augusto Souza também considerou que a jovem não teve a intenção de lesionar a sogra. Segundo ele, a própria acusada confessou que pretendia atingir o marido, após descobrir que ele estava há dois dias fora de casa, em confraternizações com amigos e outras mulheres. Um dos depoentes, Luiz Fabrício Souza Pinheiro, de 26 anos, companheiro da ré e filho da vítima, afirmou ter contribuído para o episódio. Ele relatou que estava fora de casa há dois dias e que a companheira teve acesso a mensagens em seu telefone, nas quais um amigo o convidava para festas e encontros com outras mulheres.

Conforme o relato, ao encontrar o marido alcoolizado e acompanhado de outras pessoas, Thalita reagiu de forma agressiva. Já na residência da mãe dele, o casal iniciou nova discussão e, durante o desentendimento, a sogra interveio para apartar a briga, momento em que acabou sendo atingida por golpes de faca. A vítima, servidora pública municipal, afirmou em plenário que não desejava que a nora fosse presa. A sogra justificou declarando que a acusada é uma boa mãe para o neto e reconheceu que o filho também contribuiu para o ocorrido ao tentar intervir na discussão. 

Em interrogatório, Thalita Cleidiane confirmou ter lesionado a sogra, mas afirmou que sua intenção era atingir o companheiro. A ré disse que estava tomada pela raiva após o marido permanecer dois dias fora de casa, consumindo bebida alcoólica e mantendo contato com outras mulheres, enquanto, segundo ela, faltavam recursos para as necessidades da família.

De acordo com a denúncia, o caso ocorreu na madrugada do dia 3 de junho de 2025, na Travessa Pirajá, bairro da Pedreira, em Belém. A acusada, após encontrar mensagens no telefone do companheiro marcando encontros com amigas, saiu à sua procura, localizando-o em um bar, em estado de embriaguez, e o levou até a casa da mãe dele. Antes de entrarem na residência, o casal iniciou nova discussão. Conforme apurado, após ser empurrada pelo companheiro, a mulher desferiu dois golpes de faca. Durante a tentativa de conter a briga, a vítima foi atingida pela nora e sofreu lesões, o que motivou a ação penal.

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