A Polícia Civil investiga, por meio da Operação Senhor das Armas, um esquema de desvio e comércio ilegal de armas de fogo e munições no Amapá. Segundo as investigações, os principais suspeitos são um tenente da Polícia Militar, sua esposa — também policial militar — e um agente de segurança, apontados como líderes da organização criminosa, que teria movimentado mais de R$ 26 milhões.
Na manhã desta terça-feira (25), foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e dois de prisão. As ações resultaram na apreensão de armas dos militares, veículos, documentos e outras provas materiais. A polícia encontrou duas espingardas em posse do armeiro e identificou a oficina clandestina usada para adulteração de armamentos, localizada no bairro Novo Horizonte, na Zona Norte de Macapá.
Segundo as investigações, o tenente se aproveitava da função de responsável pelo armário forte do Fórum de Macapá para desviar armas e munições sob custódia judicial. O agente de segurança cuidava da logística, retirando os armamentos e transportando-os, sempre recebendo o pagamento em dinheiro. O arsenal era entregue a um armeiro, que mantinha uma oficina clandestina onde adulterava as armas — raspando as numerações — e as vendia por meio de catálogos em aplicativos de mensagens. O principal destino eram facções criminosas, que compravam em grande quantidade para armar seus integrantes.
A esposa do tenente atuava no braço financeiro do esquema, realizando depósitos fracionados e movimentando valores por meio de laranjas e empresas de fachada para lavar milhões de reais. Ainda segundo a investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), à época dos crimes os três estavam cedidos ao Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), mas atualmente não mantêm qualquer vínculo com o órgão.
A Justiça determinou também o bloqueio de bens e contas dos investigados, em um montante que pode chegar a R$ 26 milhões.
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