Barcarena. A Elea. A Data Center. A Axia Energia. Os R$ 250 Milhões. O MP e a Investigação


 

O Ministério Público do Estado do Pará instaurou inquérito civil para apurar a legalidade da implantação de um data center da Elea, com infraestrutura elétrica da Axia Energia (antiga Eletrobras), e os possíveis impactos ambientais, climáticos e sociais do empreendimento, especialmente sobre comunidades de Barcarena, município vizinho a Belém. O projeto será implantado próximo à subestação de alta tensão Miramar, considerada estratégica para o fornecimento de energia necessário ao funcionamento da estrutura. O empreendimento custará R$ 250 milhões e é considerado o primeiro data center para inteligência artificial da região Norte do Brasil. Terá capacidade inicial de 7,5 MW, com possibilidade de escalar para até 100 MW nas próximas fases.

Embora seja instalado em Belém, o empreendimento também preocupa autoridades de Barcarena, na região metropolitana, devido à proximidade geográfica entre os municípios. O MP quer detalhes sobre eventual consulta pública e estudo de impacto ambiental. A Ilha das Onças e a Ilha Arapiranga, que pertencem ao território de Barcarena, ficam a cerca de 4,5 quilômetros da área prevista para a construção, às margens da Baía do Guajará. Foi justamente essa proximidade que motivou a atuação da 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena. Segundo o MPPA, a investigação pretende verificar se foram observadas todas as exigências legais relacionadas ao licenciamento ambiental.

O MP do Pará afirma que estudos realizados em outras localidades do mundo apontam que grandes data centers podem provocar impactos ambientais relevantes. Entre os principais efeitos citados pelo órgão estão o aumento da temperatura no entorno das instalações, formando ilhas de calor; o elevado consumo de energia elétrica; o alto consumo de recursos hídricos em determinados modelos de refrigeração; e a emissão contínua de ruídos provenientes dos equipamentos. De acordo com o Ministério Público, pesquisas internacionais indicam que esses empreendimentos podem elevar em até 9°C a temperatura local, com impactos perceptíveis em raio de até 10 quilômetros.

"Comunidades tradicionais residentes nas ilhas próximas, ribeirinhos e pescadores, já vulnerabilizados economicamente por condições históricas, estarão suscetíveis a impactos negativos decorrentes das atividades do empreendimento", disse o promotor de Justiça Márcio Maués. O MPPA também afirma que, até o momento, não foram divulgados estudos técnicos nem informações sobre consultas prévias às populações potencialmente atingidas.

Tayana Narcisa. CNN Brasil. Belém.

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