Um esquema criminoso articulado pelo influenciador digital Ivan Luiz Bastos Guimarães, conhecido como "Itz Ivan", usou o aparato estatal para simular uma ação policial e roubar 30 quilos de ouro, além de R$ 800 mil em espécie. Também participaram o delegado John Allan Cunha Castilho e o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, ambos da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), e o investigador Marcelo Henrique de Araújo Sobral, da Polícia Civil de Roraima (PC-RR).
O roubo, ocorrido no dia 29 de março deste ano em uma residência no bairro Caçari, zona leste de Boa Vista, teve os detalhes revelados pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que já identificou oito envolvidos no esquema. O planejamento do grupo foi documentado em um grupo de WhatsApp chamado "Planos de ficar rico.com".
Dono do imóvel onde o minério era negociado, Ivan, de 33 anos, usou o acesso privilegiado à transação para arquitetar o assalto. Durante a invasão — realizada com distintivos, fardamentos e uma viatura descaracterizada da Polícia Civil —, o influenciador se fingiu de vítima para enganar os presentes. Ameaçado por garimpeiros que desconfiaram da encenação, Ivan fugiu para Manaus e, em seguida, fixou residência em Santa Catarina, onde adquiriu imóveis de alto valor. Ele foi preso no dia 21 de agosto, em Florianópolis.
Segundo a Draco, a engenharia da falsa operação contou com o apoio direto de policiais civis:
• Delegado do Amazonas e seu investigador – Primo de Ivan, o delegado John Allan Cunha Castilho (PC-AM) foi apontado como o articulador que recrutou o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo e coordenou os agentes de Roraima. John prestou cobertura do lado de fora do imóvel e garantiu a fuga dos valores para o Amazonas. Ambos foram presos nesta quarta-feira (26).
• Agentes de Roraima – O investigador Marcelo Henrique de Araújo Sobral (PC-RR) comandou a abordagem armada na residência utilizando uma caminhonete oficial descaracterizada. Dezoito dias após o roubo, tentou forjar um boletim de ocorrência justificando a ação como "averiguação de rotina". O policial foi afastado do cargo.
O planejamento do grupo foi documentado em um aplicativo de mensagens. Dois dias antes do crime, Ariane Cabral Paes, esposa do investigador Marcelo, criou o grupo "Planos de ficar rico.com" para organizar as tarefas e monitorar a execução. Após render as vítimas e levar os bens, o grupo enviou a mensagem "Bingo" às 19h59 para confirmar o sucesso do assalto.
A apuração financeira revelou que Marcelo recebeu ao menos R$ 200 mil, enquanto R$ 180 mil foram parar em contas de sua esposa e R$ 150 mil foram prometidos ao cunhado, Guilherme Santana da Silva, que também participou da invasão. O minério roubado foi negociado com o auxílio de familiares dos policiais envolvidos.
A farsa ruiu quando o verdadeiro comprador do lote de ouro procurou as autoridades para denunciar o assalto. O material apreendido, o monitoramento dos veículos e o enriquecimento ilícito dos suspeitos embasam o processo.
A defesa do delegado John Allan informou que foi surpreendida pela prisão, nega a participação do cliente e enfatiza que ele é servidor concursado sem antecedentes criminais. Os citados seguem à disposição da Justiça e contam com a presunção de inocência garantida até o trânsito em julgado do processo.
Fonte: D24am.
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