Quase um ano depois de o corpo do personal trainer Daniel Cesar Del Castilho da Silva ter sido encontrado, a investigação foi encerrada. O soldado da Polícia Militar Gilvan Endryl Seixas Barros foi acusado de matar o personal, roubar seu carro e participar de um assalto fardado. Segundo as investigações, no dia 6 de setembro do ano passado, Daniel saiu na companhia de Gilvan; durante o trajeto, o suspeito teria matado a vítima com um tiro na cabeça. Após o crime, o acusado ficou com o carro de Daniel por cerca de uma semana, circulando por Macapá e pelo interior do estado.
De acordo com o delegado José Mário Carneiro, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), há imagens do suspeito usando o carro da vítima, chegando inclusive até o quartel com o veículo. "No dia 12 de setembro, uma semana depois, numa sexta-feira, Gilvan se envolveu num acidente com esse automóvel e fugiu. A vítima do acidente conseguiu a placa e rastreou o veículo, chegando até a família de Daniel. Ao conversar com eles, os familiares ficaram surpresos, porque não sabiam que Daniel havia se envolvido nesse acidente", disse o delegado. Naquele momento, a família não sabia do paradeiro de Daniel e já havia denunciado seu desaparecimento à polícia.
No dia 13 de setembro, Gilvan, junto com outro homem identificado como Alan, participou de um roubo em um mercantil no distrito de Abacate da Pedreira, zona rural de Macapá. A polícia chegou até a dupla após denúncia de assalto ao estabelecimento; as vítimas informaram que um dos homens vestia farda da PM. Na abordagem, Gilvan foi encontrado com o uniforme da corporação, uma pistola .40 com carregador e um simulacro de arma tipo airsoft. O segundo suspeito usava roupas semelhantes às das Forças Armadas.
"A Polícia Civil continuou as investigações relacionadas ao homicídio e chegamos à autoria de Gilvan. Conseguimos a quebra do sigilo telemático, cruzamos as localizações onde ele esteve e com quem esteve, obtivemos informações do celular da vítima e conseguimos, de fato, fechar o inquérito, indiciando Gilvan pela morte de Daniel. Alan, preso pelo roubo, não estava envolvido no homicídio", declarou o delegado.
Ainda segundo ele, não foi possível determinar a motivação do crime. Foi identificado que Daniel ajudava Gilvan na preparação para o Teste de Aptidão Física (TAF) da PM. "Infelizmente, não conseguimos descobrir a motivação do homicídio, mas conseguimos descobrir que foi ele", destacou. Em interrogatório, Gilvan alegou que Daniel teria sido executado por um suposto agiota, que teria tomado sua arma e cometido o crime — mas não explicou por que ficou uma semana sem avisar a família, circulando com o veículo da vítima. "Chegamos a identificar um suspeito com as características descritas por Gilvan. Ele foi ouvido, coletamos seus dados, mas as investigações não apontaram, de forma alguma, seu envolvimento no caso. Concluímos que se tratava apenas de uma tese de defesa de Gilvan, que não se sustentou", reforçou o delegado.
Gilvan está preso no Centro de Custódia do Estado, em prisão especial por ser policial militar, acusado de dois crimes: o homicídio de Daniel e o roubo ao mercantil.
O caso — Daniel, de 36 anos, foi encontrado morto em 12 de setembro de 2025, às margens da rodovia AP-70, em Macapá. O corpo estava em avançado estado de decomposição. O carro da vítima, modelo Onix, não foi localizado junto ao corpo; dias depois, o veículo foi identificado em um assalto a um estabelecimento comercial, com dois homens — um deles, policial militar. A partir daí, a Polícia Civil conseguiu conectar os casos.
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