O Amazonas. O Tambaqui. A Ameaça de Extinção


 

O tambaqui está ameaçado de extinção? A resposta é sim. A espécie está classificada como “Vulnerável (VU)” na avaliação de risco de extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o que, segundo o órgão, significa que o peixe enfrenta risco alto de extinção na natureza. A classificação consta no Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (Salve), na ficha da espécie Colossoma macropomum, nome científico do peixe amazônico.


O tambaqui também aparece na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçada de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos. A lista foi reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) por meio da Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026. Assim, o tambaqui é classificado como espécie vulnerável pelo ICMBio desde 4 de setembro de 2023, enquanto a inclusão na lista oficial reconhecida pelo MMA ocorreu apenas em 2026.

O ICMBio aponta que o tambaqui ocorre naturalmente nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco, com presença na Bolívia, na Colômbia, no Peru, na Venezuela e no Brasil. Em território brasileiro, é natural nas várzeas do rio Amazonas, incluindo os estados do Acre, de Rondônia e do Amazonas. A ficha do ICMBio aponta que o tambaqui apresenta tendência populacional de declínio, com base em análises populacionais feitas a partir de dados do Ibama e em projeções para a espécie.

Uma das análises apresentadas na ficha projeta uma redução populacional global de 43,4% em três tempos geracionais. O tempo geracional do tambaqui foi estimado em 22 anos. Entre as ameaças registradas está o uso de recursos biológicos, especificamente a pesca e o uso de recursos aquáticos. O documento informa que Colossoma macropomum é uma espécie amplamente utilizada na piscicultura e na pesca comercial e de subsistência, tendo estado, no passado, entre as dez espécies de peixes mais exploradas na região amazônica. Atualmente, segundo a ficha do ICMBio, quase a totalidade do abastecimento de tambaquis nas feiras, nos mercados e nos frigoríficos de Manaus é composta por exemplares oriundos de piscicultura.

Na avaliação nacional realizada em 2014, o tambaqui era classificado como Quase Ameaçado (NT). Segundo o histórico do processo, fatores como a presença da espécie em áreas protegidas e a oferta abundante de exemplares provenientes de piscicultura foram considerados, na época, capazes de atenuar o risco de extinção a curto prazo. Na nova avaliação, porém, embora esses mesmos fatores tenham sido novamente analisados, não se entendeu que eles pudessem atenuar o risco de extinção da espécie, de acordo com as informações consideradas no estudo.

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