O Arthur Nobre. A Juliana Nobre. As Contas Bancárias. A Movimentação Financeira de R$ 33 Milhões


 

Prosseguindo a série de matérias sobre a investigação do Ministério Público do Pará, detalhamos hoje a participação da promotora de justiça Juliana Pinho Nobre, esposa do delegado de polícia civil Arthur Nobre. Visando obter ainda maior proteção no recebimento dos recursos ilícitos, o delegado Arthur Nobre e sua esposa Juliana Pinho, após a utilização de intermediários, optavam por receber tais recursos em contas correntes mantidas em nome de Juliana Pinho, uma vez que ela, como promotora de justiça, possui foro por prerrogativa de função — o que garantia a Arthur Nobre maior proteção em caso de investigação em seu desfavor. Esse estratagema criminoso está evidenciado nas quebras de sigilo bancário realizadas no curso da investigação, que demonstram que praticamente todos os recursos ilícitos eram movimentados em contas de Juliana Pinho, em detrimento das contas individuais de Arthur Nobre.

A quebra do sigilo bancário de Arthur Nobre demonstrou, no período de 2021 a 2025, uma movimentação financeira a crédito de R$ 1.560.748,12 (um milhão, quinhentos e sessenta mil, setecentos e quarenta e oito reais e doze centavos), dos quais R$ 754.132,48 foram provenientes de salário de delegado de polícia e R$ 516.405,91 de empréstimos e financiamentos. Restou, portanto, crédito de outras origens de apenas R$ 290.209,73, o que, dividido pelo período de cinco anos, representa uma média anual de R$ 58.041,95.

As contas bancárias em nome da denunciada Juliana Dias Ferreira de Pinho Nobre, no período de 01/01/2021 a 09/05/2025, registraram movimentações atípicas que totalizaram R$ 4.211.086,24 (quatro milhões, duzentos e onze mil, oitenta e seis reais e vinte e quatro centavos) — média anual de R$ 842.217,25 em recebimentos de origem não declarada. Apurou-se, ainda, que as contas de Juliana movimentaram, no período, um total de R$ 31.459.859,64 (trinta e um milhões, quatrocentos e cinquenta e nove mil, oitocentos e cinquenta e nove reais e sessenta e quatro centavos).

Excluídas as movimentações entre contas de mesma titularidade (R$ 17.724.625,22), apurou-se uma movimentação de R$ 13.735.234,42 (treze milhões, setecentos e trinta e cinco mil, duzentos e trinta e quatro reais e quarenta e dois centavos), sendo R$ 7.019.619,67 a crédito (recursos recebidos de terceiros) e R$ 6.715.614,75 a débito (recursos enviados a terceiros). No mesmo período, foram identificados recebimentos lícitos de sua atividade como promotora de justiça no valor de R$ 2.808.533,43, pagos pelo Ministério Público do Pará e pelo Tribunal Regional do Pará. Assim, identificaram-se em sua conta corrente recebimentos estranhos às suas atividades profissionais, totalizando R$ 4.211.086,24, divididos em dois grupos:

• Créditos com origem identificada: R$ 3.728.583,29 (transações cujos remetentes foram identificados por CPF/CNPJ).

• Créditos com origem não identificada: R$ 482.502,95 (transações cujo remetente ou origem não pôde ser identificado).

Entre os principais remetentes do montante de R$ 3.728.198,04 recebido nas contas de Juliana Dias Ferreira de Pinho Nobre, destacam-se Davi Jonatas Brito Neves (advogado utilizado por Arthur Nobre em esquemas criminosos), Raquel Cristina Lima Valente (operadora e assessora, por dois meses, de Juliana Pinho e Arthur Nobre), Daniel Ribeiro do Nascimento (policial civil), Walmir Pantoja Pereira (policial civil) e Higor Almeida Damasceno (escrivão da Polícia Civil), que fizeram remessas totalizando R$ 1.063.541,08, conforme demonstrado no quadro abaixo. Todos esses intermediários faziam parte do círculo pessoal de convívio da denunciada, que tinha plena consciência de que eles não possuíam capacidade financeira para movimentar tais valores, tampouco atividades laborativas ou comerciais lícitas que justificassem os recebimentos em suas contas.

Identificou-se, ainda, que Juliana Pinho recebeu um total de R$ 341.416,77 em depósitos em espécie, realizados de forma fracionada — ação típica de lavagem de capitais.

Somente entre as transferências dos terceiros identificados e os depósitos em espécie, o esquema criminoso gerou R$ 1.404.957,85 depositados diretamente na conta da denunciada. Juliana Pinho tinha pleno conhecimento das atividades profissionais de seu esposo, não havendo qualquer atividade lícita por ele declarada além dos ganhos obtidos com o cargo de delegado da Polícia Civil do Estado do Pará. As contas com maiores movimentações de Juliana Pinho eram do Banco do Brasil, utilizadas para movimentar seus subsídios e pagar despesas pessoais.

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