Na penúltima matéria sobre o escândalo que resultou na denúncia contra promotores, delegados e advogados do Pará, O Antagônico relata hoje um episódio que foi parar na Delegacia de Crimes Funcionais (Decrif).
No dia 3 de outubro de 2023, o delegado Arthur Nobre avisa o delegado Carlos Daniel Castro que está na Decrif sendo ouvido em um procedimento aberto contra ele, argumentando que tal procedimento tinha sido anteriormente anulado pelo Delegado Geral. Em seguida, Arthur Nobre informa que está sendo ouvido como interrogado e que a vítima resolveu procurar a Decrif (Delegacia de Crimes Funcionais) um ano depois e após ser denunciada pelo Ministério Público.
Posteriormente, Arthur Nobre envia o Auto de Qualificação e Interrogatório (AQI) tomado pela DPC Aline Macedo e afirma que está sendo perseguido pela Decrif. Durante a conversa, Arthur Nobre explica a Carlos Daniel Castro como ocorreu todo o processo até a instauração do inquérito contra ele. Segue dizendo que ligou para Rezende (Delegado Geral), para Luiz Márcio Cypriano (promotor de Justiça) e também para o próprio Carlos Daniel Castro, enfatizando que "começou a acionar padrinhos" sobre a situação.
No dia 19 de outubro de 2023, Arthur Nobre pede a Carlos Daniel Castro para "dar uma pressão na Aline" (referindo-se à DPC Aline Cavaleiro de Macedo, presidente do inquérito). Na continuação da conversa, Carlos Daniel Castro afirma que a DPC Aline Macedo sabe do interesse dele pelo inquérito. Em seguida, Arthur Nobre diz que acredita que será indiciado, pois a delegada o excluiu das redes sociais dela. Carlos Daniel Castro o orienta a, caso seja indiciado, responder ao processo e depois representar a DPC Aline Macedo por abuso de autoridade.
"Se for indiciado, resolve e depois mete no c... dela, né? Abusinho ou não?"
Arthur Nobre afirma que, se for indiciado, vai responder ao inquérito e "arquivar no MP". Em resposta, Daniel Castro novamente o orienta a representar a delegada por abuso de autoridade caso seja indiciado.
"Sim, isso eu sei. Aí depois o que a gente faz? Dá pra meter um abusinho nela, né?"
Para o MP, a conversa deixa clara a atuação do delegado Carlos Daniel Castro na proteção de Arthur Nobre internamente na estrutura administrativa da Polícia Civil do Pará, no interesse da associação criminosa.
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