Em reunião realizada na tarde desta segunda-feira (10), em um hotel no Rio de Janeiro, os clubes das Séries A e B aprovaram um conjunto de regras para combater a cera. As mudanças estrearão na 23ª rodada dos dois campeonatos. A maioria das regras — detalhadas mais abaixo — foi testada na última Copa do Mundo e busca coibir o antijogo, aumentando o tempo de bola rolando.
O chamado "Protocolo Vini Jr." (ou "Lei Vini Jr.") também foi aprovado pelos clubes. A regra prevê cartão vermelho para o jogador que cobrir a boca em discussões com adversários. Outra novidade é a retirada de um jogador de linha por um minuto quando o goleiro da mesma equipe solicitar atendimento médico. Essa regra não foi adotada na Copa do Mundo, mas será utilizada na Inglaterra e na Espanha na próxima temporada.
O departamento de arbitragem da CBF quer coibir a cera por suposta lesão do goleiro, prática que, segundo a entidade, costuma servir para que treinadores passem instruções aos atletas e retardem a volta da partida. Sobre qual jogador sai de campo, há duas possibilidades: o treinador indica em dez segundos quem sairá, ou o capitão deixa o campo assim que o departamento médico entrar para o atendimento. Caso o goleiro seja o capitão, sai um jogador previamente sorteado.
A CBF apresentou estudo comparando o tempo de bola rolando nas principais ligas do mundo e no Brasil. Com 52min54s, o Brasileirão da Série A só fica à frente da Argentina na comparação com outros países. Veja:
• MLS (EUA) — 2026: 57min12s
• Bundesliga (Alemanha) — 2026: 56min18s
• Ligue 1 (França): 56min17s
• Premier League (Inglaterra): 55min23s
• LaLiga (Espanha): 55min09s
• Serie A (Itália): 54min28s
• Brasileirão Série A: 52min54s
• Brasileirão Série B: 51min09s
• LPF Apertura (Argentina): 50min02s
A CBF estabeleceu como meta chegar a 57 minutos de bola rolando com a aplicação do conjunto de novas regras, mas outro fator importante dependerá da conduta da arbitragem e dos jogadores: a diminuição do número de faltas, do tempo para cobrá-las, do tempo perdido em atendimento médico e do tempo de uso do VAR. A CBF quer "recuperar" 6min22s de bola rolando nesses quatro quesitos, o que já elevaria o tempo a 59min16s, acima da meta de curto prazo:
• 203 segundos perdidos, em média, com faltas
• 113 segundos perdidos com reposição de bola
• 50 segundos com atendimento médico
• 16 segundos com uso do VAR
Resumo das novas regras:
Cinco segundos para cobrar lateral — Quando o árbitro perceber atraso deliberado na cobrança, deverá apitar e iniciar contagem regressiva visual de cinco segundos com os dedos. Punição: se o tempo se esgotar, a posse de bola passa ao adversário.
Cinco segundos para cobrar tiro de meta — Mesmo procedimento do lateral. Punição: caso o jogador não cobre a tempo, o lance será revertido em escanteio para o adversário.
Dez segundos para sair de campo em substituição — O jogador substituído terá dez segundos para deixar o campo após o quarto árbitro erguer a placa. Exceção para jogador lesionado que claramente não tenha condições de saída. Punição: em caso de atraso, o substituto aguardará um minuto para entrar, deixando o time com um jogador a menos.
Um minuto fora em caso de atendimento médico — Antes, o jogador atendido aguardava apenas autorização do juiz para retornar — o que muitas vezes servia à cera. Agora, é necessário aguardar ao menos 60 segundos, deixando o time com um a menos nesse período. Se o atendido for o goleiro, sai um jogador de linha por um minuto.
Lei Vini Jr. — Jogador, suplente ou substituído é expulso se cobrir a boca ao se comunicar de forma provocativa, depreciativa ou inflamatória com um adversário.
VAR para corrigir segundo amarelo; revisão de escanteio a partir de 2027 — Até a Copa do Mundo, o protocolo do VAR atendia apenas quatro tipos de lance: gol, pênalti, cartão vermelho direto e erro de identificação. Agora, poderá intervir também quando o árbitro aplicar por engano um segundo cartão amarelo que resultaria em expulsão. A partir de 2027, a revisão será estendida a escanteios concedidos por engano que resultem diretamente em gol ou pênalti — por serem erros objetivos, o VAR poderá avisar diretamente à arbitragem, sem que o juiz precise ir ao monitor.
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