O Remo perdeu por 2 a 1 para o Fluminense, no Maracanã, em uma partida que expôs com clareza os limites e também a eficiência da estratégia montada por Léo Condé. O alerta não está apenas no resultado, mas em como o time perdeu: a equipe mostrou organização para suportar o domínio adversário, mas revelou dificuldades enormes nos poucos minutos em que precisou sair da toca e jogar. O Leão Azul aceitou jogar sem a bola, fechou os espaços e apostou nos contra-ataques. Com esse plano traçado, a equipe paraense passou a maior parte do confronto sob pressão. O Tricolor Carioca terminou com 73% de posse de bola, 20 finalizações, nove no alvo e 11 escanteios, enquanto o time paraense teve apenas 27% de posse, sete chutes e apenas um deles no alvo.
A estratégia azulina não pode ser analisada apenas pela quantidade de posse: o Remo entrou em campo sabendo que teria dificuldade para controlar o jogo e escolheu proteger a própria área, esperando os espaços deixados pelo Fluminense. Foi assim que surgiu o gol de Jajá, aos 31 minutos — em uma das poucas oportunidades construídas pelo Leão, o time foi objetivo e transformou a chegada em vantagem. O problema é que essa eficiência ofensiva não se repetiu. O contraste fica ainda maior na produção ofensiva: o Fluminense teve 26 ações com a bola dentro da área do Remo, contra apenas dez do time paraense, além de ter entrado 72 vezes no terço final, ante 33 do adversário. A estatística de passes ajuda a explicar o sufoco: o Fluminense terminou com 713 passes, o Remo ficou em 268 — diferença que mostra a dificuldade azulina de manter a bola longe da própria defesa.
O problema não foi simplesmente ter pouca posse, mas também pouca capacidade de transformar as recuperações em ataques perigosos: foram 38 recuperações de bola e apenas sete finalizações em 90 minutos. Na defesa, a equipe precisou trabalhar muito — 15 cortes, 12 interceptações e dez desarmes. Marcelo Rangel também apareceu sete vezes para defender. Ou seja: o sistema conseguiu resistir por bastante tempo, mas foi testado repetidamente. A situação ficou ainda mais evidente após o intervalo, quando o Fluminense aumentou a pressão até empatar com Hulk, aos 66 minutos.
A partir daí, o Remo precisava apresentar uma segunda versão do plano: continuar defendendo, mas também conseguir jogar com a bola e ameaçar o adversário. Não conseguiu. No segundo tempo, o Fluminense teve 11 finalizações contra apenas cinco dos paraenses — e nenhuma das cinco tentativas azulinas exigiu trabalho de Fábio. A equipe até encontrou espaços nos minutos finais, mas as finalizações de Zé Welison vieram de fora da área e não representaram pressão consistente.
Há diferença entre ser reativo por escolha e simplesmente não conseguir sair da pressão. O Remo foi reativo no início, mas, depois do empate, passou a ter cada vez menos capacidade de contra-atacar. A equipe teve apenas três dribles certos em todo o jogo, contra nove do Fluminense, e acertou somente 13% dos cruzamentos, ante 25% do adversário. Faltou qualidade para transformar recuperações em jogadas capazes de recuar o Flu. Por isso, o gol de Serna, aos 83 minutos, não surpreende: o Fluminense já havia acumulado volume suficiente para o segundo tento. O Remo resistiu bastante, mas não conseguiu alterar a dinâmica da partida.
Em uma atuação ofensivamente limitada, Jajá foi quem fez a diferença: marcou o único gol do Remo e terminou como o jogador azulino mais bem avaliado, com nota 7,6. Teve duas finalizações, uma no alvo, além de participação importante nos poucos momentos em que a equipe escapou da marcação. O restante do ataque, porém, produziu pouco — Gabriel Taliari terminou os 90 minutos sem finalizar, sem acertar dribles e com 13 perdas de posse, o que, para uma equipe já carente de bola, tornou ainda mais difícil construir uma reação.
A partida deixa uma conclusão incômoda para o Remo: a estratégia de jogar sem a bola funcionou para manter o time competitivo, mas não para sustentar a vantagem. O Leão conseguiu sair na frente, mas não conseguiu o segundo movimento necessário — diminuir o domínio do Fluminense após o 1 a 0. Sem posse, sem finalizações no alvo no segundo tempo e com Marcelo Rangel trabalhando sete vezes, a equipe ficou dependente demais da própria resistência, e isso custou caro.
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