Os Dois Pescadores. O Barco. O Naufrágio. A Caixa Térmica. Os Cinco Dias à Deriva


 

Dois pescadores mexicanos passaram cinco dias à deriva em mar aberto, agarrados a uma caixa térmica, até serem resgatados pela Marinha do México na última quarta-feira (19). A história é de Daniel Guerrero Martínez, 53 anos, e José Luis Pórtelas, 32 anos, moradores do município de Tonalá, no estado de Chiapas, no litoral sudoeste do México. "Pensei que nunca mais fosse ver minha família", disse Martínez em um breve depoimento à imprensa local após o resgate.

Com sinais de desidratação, depois de cinco dias sem comer, os pescadores já estão em casa, reunidos com as famílias e em recuperação. A Marinha informou que, nas buscas, usou um esquema conhecido como "Trinômio", que combina uma patrulha oceânica, uma embarcação interceptadora e uma aeronave para ampliar o raio de varredura. Segundo relataram os pescadores, eles conseguiram chamar a atenção da aeronave balançando um saco que mantinham entre seus pertences.

Nos vídeos divulgados pela Marinha, os dois homens aparecem agarrados a uma caixa térmica azul, que lhes permitiu permanecer à tona por vários dias. Paredón é uma comunidade pesqueira do litoral do Pacífico mexicano, situada entre o oceano e lagoas da região, com economia baseada na pesca artesanal de camarão, peixes e outras espécies marinhas. Foi de lá que Daniel e José saíram, no sábado, 15 de agosto, para um trabalho que, para muitas famílias da região, significa passar vários dias no mar — sua principal fonte de renda.

O desaparecimento mobilizou familiares, colegas de trabalho e cooperativas pesqueiras da região, que pediram à Marinha ajuda para localizá-los. Segundo relataram à imprensa local, uma forte onda atingiu a embarcação durante a madrugada e a fez naufragar. Ao serem atingidos, os pescadores tentaram resgatar alguns pertences, mas, em questão de segundos, ficaram à deriva, sustentados apenas por uma caixa térmica e alguns galões de gasolina.

O recipiente, normalmente usado para armazenar o pescado e conservá-lo com gelo, transformou-se em uma balsa improvisada. Os pescadores afirmaram que, durante cinco dias, não tiveram acesso a água potável nem a alimentos. A falta de chuva os impediu até de coletar água para aliviar a desidratação provocada pela exposição permanente ao sol. A correnteza os levou a uma área do Pacífico situada a mais de 240 quilômetros do continente — distância que os deixava em mar aberto, fora da vista de qualquer referência terrestre, tornando o resgate uma tarefa extraordinária.

Diferentemente da pesca industrial, muitos pescadores artesanais saem ao mar em pequenas embarcações, expostos a mudanças bruscas nas condições do oceano e a longas distâncias da costa. As autoridades mexicanas confirmaram o resgate, mas não divulgaram mais detalhes sobre o naufrágio da embarcação. Após os breves depoimentos à imprensa local, Daniel e José se reencontraram com as famílias.

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