As credenciais de uma servidora do Ministério Público Federal no Maranhão foram usadas, ao menos cinco vezes, por aliados do banqueiro Daniel Vorcaro, para acessar documentos sigilosos de investigações que apuravam irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A informação consta de relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O MPF-MA informou que a servidora Alina Franco Boueres de Araújo foi vítima de phishing — golpe utilizado para obter indevidamente senhas e outras informações de acesso.
O órgão foi comunicado pela Polícia Federal em 2025 e instaurou investigação interna, que concluiu que as credenciais da servidora foram utilizadas de forma indevida. Segundo o MPF, medidas foram adotadas para bloquear os acessos não autorizados e evitar novos ataques. Conforme relatório enviado ao STF, dados restritos foram extraídos diretamente dos sistemas do MPF por aliados de Vorcaro antes da deflagração da Operação Compliance Zero. O relatório que aponta o uso indevido das credenciais se tornou público após o ministro André Mendonça, do STF, retirar o sigilo de documentos relacionados às investigações do caso Master. A decisão ocorreu após solicitação do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, em meio à crise envolvendo as investigações.
A primeira consulta buscava informações sobre notícias-crimes apresentadas pelo jornalista Vladimir Timmerman, que havia publicado informações relacionadas ao banqueiro. O login da servidora também foi utilizado em outras ocasiões, nos meses de março, junho e julho de 2024. Em uma das mensagens trocadas por Mourão e Daniel Vorcaro, o aliado do banqueiro chegou a enviar, de uma única vez, seis documentos, todos classificados como sigilosos. Segundo a Polícia Federal, Alina Boueres integra o quadro do Ministério Público Federal do Maranhão desde 2006 e, à época dos acessos, era lotada no gabinete do procurador da República Marcílio Nunes Medeiros.
No parecer, a PF enfatiza que o uso recorrente dos logins do servidor e da servidora do MPF não comprova, por si só, que eles tinham conhecimento ou participação voluntária no esquema de vazamento de dados. O relatório registra que as credenciais foram exploradas reiteradamente para violar a custódia das investigações, ressalvando que as extrações podem ter ocorrido "com ou sem participação consciente" dos titulares dos acessos funcionais — hipótese que permanece sob apuração.
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