Golpistas estão usando descontos atrativos, facilidades de pagamento e páginas falsas para aplicar um novo golpe envolvendo o programa Desenrola. No Amapá, a enfermeira Louriete Malcher, de 25 anos, teve os dados expostos e chegou a fazer um Pix de quase R$ 70, acreditando que estava quitando uma dívida. A oferta chegou por e-mail, imitando o aplicativo do Governo Federal, e prometia quitar o débito e aumentar o score de crédito da vítima.
Apesar de atrativa, a proposta parecia boa demais para ser verdadeira. Louriete contou que desconfiou, mas, ao ver selos que imitavam os do aplicativo oficial, acreditou: "Pensei: 'Está ótimo esse valor, será que é verdade?' Era muito real, tinha o selo do gov. A mensagem chegou por e-mail, com meus dados e informações do Governo Federal. Não imaginei que fosse golpe", disse.
Os golpistas ofereceram um "superacordo", com redução de juros de até 99%; para fechar, bastava uma transferência via Pix. A jovem só percebeu a fraude quando a dívida não foi retirada dos cadastros. Além disso, os criminosos afirmavam que ela tinha mais débitos do que realmente constavam em seu CPF: "Eu também achei estranho, porque na mensagem diziam que eu tinha cinco dívidas pendentes, mas na verdade só tenho duas. Eu estava tão afoita que só percebi isso depois", relatou.
O score é uma pontuação de crédito que vai de 0 a 1.000 e indica a bancos e empresas a probabilidade de uma pessoa pagar suas contas em dia: quanto maior o score, menor o risco de inadimplência e maiores as chances de obter crédito em condições melhores.
O golpe — Os criminosos prometem descontos de até 99% para quitar dívidas, retirar o nome de cadastros de inadimplentes e aumentar o score de crédito. Para concluir a suposta renegociação, a vítima é induzida a pagar uma taxa via Pix. A fraude chama atenção pelo nível de personalização empregado para dar aparência de legitimidade às páginas falsas.
Os sites reproduzem elementos visuais de páginas oficiais do governo e exibem imagens de autoridades e integrantes ligados ao programa de renegociação de dívidas. Ao acessar uma dessas páginas, a vítima é direcionada a um chat em que aparecem seus dados pessoais — nome completo, CPF e data de nascimento —, o que reforça a falsa impressão de que o site tem acesso a uma base oficial. Em seguida, é exibida uma suposta análise da situação financeira do usuário, com informações sobre score e valores de dívidas. O atendimento prossegue em um chat integrado, no qual uma suposta atendente envia mensagens, vídeos e áudios pré-gravados para simular uma conversa personalizada. Depois, a vítima recebe uma proposta de renegociação com desconto de até 99% sobre o valor da dívida, e os criminosos afirmam que o procedimento também retiraria o nome dos cadastros de inadimplentes e elevaria o score.
Para "finalizar" o acordo, no entanto, é cobrada uma taxa via Pix — etapa apresentada como necessária, mas que não resulta em qualquer renegociação real. "Essa campanha combina dois elementos comuns em golpes de engenharia social: a expectativa de resolver rapidamente um problema e a sensação de segurança criada pela exibição de dados pessoais verdadeiros", explica Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky, empresa especializada em cibersegurança. Segundo ele, a exibição de informações corretas não comprova que um site seja legítimo. A orientação é verificar o endereço eletrônico antes de fornecer dados ou realizar pagamentos, e desconfiar de ofertas que prometam benefícios extraordinários ou exijam cobranças inesperadas.
Como não cair no golpe:
• Confira o endereço do site antes de fornecer dados ou fazer pagamentos, verificando se pertence a um canal oficial do governo ou da instituição financeira.
• Desconfie de cobranças antecipadas: não faça Pix para liberar descontos, concluir renegociações ou obter benefícios do programa.
• Em caso de dúvida, procure diretamente os canais oficiais do governo ou do banco credor, em vez de clicar em links recebidos por WhatsApp, SMS ou redes sociais.
• Não confie apenas na exibição de dados pessoais: nome, CPF, data de nascimento e score podem ser obtidos por criminosos e não comprovam a legitimidade da página.
• Denuncie sites falsos e contas usadas para receber pagamentos às autoridades e às instituições financeiras envolvidas.
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