O Amazonas. Coari. A PF. A Operação Dinastia. O Adail Pinheiro. O Filho. O Dinheiro Apreendido e os 21 Veículos
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (16) a Operação Dinastia do Lago, que apura suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro na gestão municipal de Coari, no interior do Amazonas. Foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, com apreensão de dinheiro em espécie, moeda estrangeira e veículos — entre eles cerca de R$ 400 mil encontrados na casa do secretário municipal de Fazenda, segundo apurou a TV Globo. Imagens divulgadas pela PF mostram também objetos de luxo, como relógios e joias, entre os bens recolhidos.
A ação tem como principais alvos o prefeito de Coari, Manoel Adail Pinheiro (Republicanos), e o filho dele, o deputado federal Adail Filho (MDB-AM). Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Adail Pinheiro e secretários municipais foram afastados dos cargos. Adail Filho foi alvo de busca e apreensão no Amazonas — não houve mandado contra ele em Brasília — e permanece no exercício do mandato na Câmara dos Deputados.
Segundo a PF, a investigação aponta para possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros, com suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos e movimentações financeiras para pagamento de vantagens indevidas e ocultação da origem e dos destinatários finais dos valores.
A defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho, representada pelo advogado Fabrício de Melo Parente, informou ter recebido o cumprimento dos mandados "com surpresa" e classificou o afastamento do prefeito como "desnecessário", afirmando que pretende adotar as medidas cabíveis após acesso ao conteúdo da investigação. Segundo os advogados, o cumprimento dos mandados não representa formação de culpa nem reconhecimento de crimes, e os investigados reafirmam confiança nas instituições.
A operação é desdobramento de inquérito aberto no STF para investigar Adail Filho, após a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025: Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em voo entre Manaus e Brasília, sem comprovar a origem do dinheiro. A partir dessa apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos analisados com autorização judicial apontaram movimentações financeiras suspeitas e possíveis relações com contratos da Prefeitura de Coari, incluindo repasses de emendas parlamentares destinadas ao município em 2024 e 2025.
Segundo despacho de Alexandre de Moraes, os documentos e dispositivos apreendidos revelaram, de acordo com a investigação, repasses financeiros de empresas vinculadas aos investigados em benefício de Adail Filho e de Manoel Adail Pinheiro. O ministro determinou a abertura do inquérito no STF a pedido da Procuradoria-Geral da República e, em 24 de junho de 2026, prorrogou a investigação por mais 60 dias, a pedido da PF, em razão da complexidade dos fatos e do número de pessoas físicas e jurídicas envolvidas. A investigação apura possível prática de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato.
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