O Jorlan Lopes. As 80 Mortes. A Fuga de Peruca e Vestido. A Prisão e a Fama Internacional


 

A Polícia Civil da Paraíba avalia a necessidade de submeter Jorlan Lopes da Silva, de 33 anos, a um teste de sanidade mental. Ele foi preso no domingo (13), em Mulungu, no Agreste paraibano. Durante o interrogatório, Jorlan afirmou ter matado cerca de 80 pessoas ao longo da vida. Segundo a investigação, ele tentou escapar usando vestido, peruca, sandálias femininas, óculos escuros e unhas pintadas; no momento da prisão, carregava uma criança de cerca de dois anos, sem parentesco com ele.

Atualmente, a investigação relaciona Jorlan a 16 homicídios ocorridos em um intervalo de aproximadamente três meses no Vale do Mamanguape. A revisão de inquéritos sem autoria definida é uma das medidas adotadas pela Polícia Civil para verificar se a confissão de Jorlan tem relação com outros homicídios investigados no estado. "Nós iremos fazer uma revisão nos inquéritos que estão sem autoria e analisar as informações, a fim de identificar elementos que possam recair sobre Jorlan", afirmou o delegado Douglas Garcia, responsável pelo caso.

A polícia informou que qualquer nova atribuição de suspeita ou autoria dependerá da existência de elementos que vinculem Jorlan a cada crime. O caso repercutiu em veículos de diferentes países, sobretudo pela forma como o suspeito foi localizado e pela declaração atribuída a ele durante o interrogatório, tornando-se destaque também na imprensa internacional.

A Polícia Civil está confrontando as informações fornecidas por Jorlan com investigações, provas técnicas e registros de homicídios. "É um número muito expressivo. Nós acreditamos que, se não for esse número, é algo muito próximo disso", afirmou o delegado Douglas Garcia. A corporação também aponta uma possível ligação de Jorlan com uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro que atua na Paraíba. Segundo a investigação, após fugir de um confronto em Rio Tinto, ele teria se escondido em uma comunidade de Cabedelo, na Grande João Pessoa, associada à organização. A partir de trabalho de inteligência, os policiais identificaram o imóvel onde ele estaria e passaram a acompanhar os deslocamentos do grupo. Jorlan teria deixado Cabedelo em direção a Mulungu acompanhado de outros integrantes; com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os investigadores identificaram o veículo utilizado pelo grupo.

Um dos comparsas foi preso durante uma abordagem, mas Jorlan conseguiu fugir novamente, sendo capturado em Mulungu no domingo (13). Conforme relato do delegado, ele teria retornado à residência onde estava, recolhido um revólver e deixado a criança para trás; na saída, porém, o vestido usado como disfarce teria se deslocado, e uma tatuagem permitiu que os policiais o identificassem. A Polícia Civil ainda não informou como a criança foi parar com o suspeito, nem se recebeu atendimento médico após ser localizada, até a publicação desta matéria.

Jorlan foi preso após cerca de 48 horas de operação, com um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça da Paraíba já em aberto contra ele. Na mesma ação, outros dois homens, também suspeitos de envolvimento em diversos crimes na região, foram presos em abordagem no município de Mulungu. Segundo o delegado Marcos Paulo Sales, que também participou da operação, os três suspeitos teriam ligação com a mesma facção criminosa que atua na região. Jorlan foi encaminhado ao Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa, após audiência de custódia, conforme informou o delegado Douglas Garcia.

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