A Delegada Virgínia Grimwood. O Namorado. O Apartamento. O Tiro na Cabeça. O PCC. A Prisão em Brasília


 

A delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto, presa em Brasília nesta quinta-feira (15), é suspeita de repassar informações sigilosas e oferecer proteção institucional a integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). No passado, ela já havia ocupado as páginas policiais dos principais jornais do Pará. Em 2010, a delegada sentou no banco dos réus em Belém, acusada pelo Ministério Público de ser autora do homicídio de seu então namorado, Heldenilson Costa Holanda, investigador da Polícia Civil.

De acordo com os autos do processo, o crime ocorreu por volta de 1h do dia 7 de junho de 2003, no corredor do 4º andar do Edifício Sol Dourado, Bloco F, localizado na Rodovia Augusto Montenegro. A acusação é de que Maria Virgínia teria disparado um tiro na cabeça de Heldenilson, provocando-lhe a morte. No interrogatório em juízo, realizado em abril de 2004, a ré negou a acusação, alegando, em resumo, que a vítima teria se suicidado. Submetida a júri popular, Virgínia foi absolvida.

PCC — Segundo o Ministério Público do Pará (MPPA), a investigação aponta uma possível ligação entre a policial e Renato Henrique do Carmo, conhecido como "Gordão", apontado como uma das lideranças da facção criminosa na região de Muro Alto, em Ipojuca (PE). A prisão ocorreu durante a "Operação Sinalagma", deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco, com apoio das polícias civis do Pará e de São Paulo, além de órgãos de inteligência e do Ministério Público. A investigação apura suspeitas de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional. Segundo o MPPA, Maria Virgínia é suspeita de receber vantagens financeiras indevidas para fornecer informações restritas e favorecer integrantes da organização criminosa.

Renato Henrique do Carmo é apontado pelas autoridades como integrante da cúpula do PCC e uma das lideranças da organização na região de Muro Alto, em Ipojuca, litoral de Pernambuco. Ele foi preso em janeiro de 2025, durante a investigação que deu origem à "Operação Sinalagma". A partir dessa prisão, as diligências avançaram sobre possíveis conexões da organização com outras pessoas e agentes públicos. De acordo com o MPPA, a apuração identificou indícios de uma possível ligação entre Renato e a delegada.

Buscas — Em Belém, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência de Maria Virgínia e no gabinete que ela ocupava na DPA (Divisão de Polícia Administrativa), na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Pará. A operação desta quinta-feira (15) previu o cumprimento de três mandados de prisão e 11 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de ordens judiciais de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros. As medidas foram autorizadas pela Vara Criminal da Comarca de Ipojuca (PE). O MPPA, por meio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), acompanha a investigação há cerca de seis meses e colaborou na elaboração de peças investigativas e pedidos judiciais.

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