Por maioria dos votos, o 1º Tribunal do Júri de Belém, presidido pelo juiz Cristiano Magalhães Gomes, absolveu Carlos Rafael Quintal, 36 anos, acusado pela morte da ex-namorada Rayana Palheta Brito, 21. Os jurados consideraram haver dúvidas quanto à autoria do crime e, com base no princípio do in dubio pro reo, votaram pela absolvição do réu. A sessão ocorreu nesta sexta-feira (16), no Fórum Criminal da Capital. A decisão acompanhou a tese sustentada pelos advogados Thiago de Carvalho Machado e Klysman Rodrigues do Couto, responsáveis pela defesa de Carlos Rafael. Eles defenderam, principalmente, a negativa de autoria e alegaram a existência de dúvidas sobre a participação do acusado no crime. O promotor de Justiça Franklin Lobato Prado sustentou a acusação e requereu a condenação de Carlos Rafael Quintal por homicídio qualificado, no contexto de violência doméstica contra a mulher e caracterizado como feminicídio.
Depoimentos — Durante o julgamento, familiares da vítima prestaram depoimento. Duas testemunhas informaram que o autor dos disparos era "um homem bem magro". Embora não tenham identificado o executor, afirmaram que a compleição física do atirador era diferente da apresentada pelo acusado, descrito como de estatura mediana e porte físico forte. A ex-companheira do réu também prestou depoimento: inicialmente, negou ter enfrentado problemas durante o relacionamento com Carlos Rafael, mas, posteriormente, admitiu que chegou a ter uma medida protetiva contra ele. Em interrogatório, o réu negou ter planejado ou participado do crime. Afirmou que, no momento do assassinato de Rayana, estava com a ex-companheira, com quem tem uma filha, e que, segundo a versão apresentada pela defesa, dormia com ela naquele momento.
Brigas — Segundo a denúncia, Rayana conheceu Carlos Rafael na loja Moda Show, onde trabalhava. Cerca de dois meses depois, o casal passou a morar na casa de familiares da jovem. Ainda de acordo com a acusação, em razão de ciúmes excessivos e perseguições, Rayana decidiu encerrar o relacionamento. Uma das brigas teria ocorrido no local de trabalho da vítima e resultado em sua demissão. Posteriormente, ela chegou a sair da casa dos pais e se abrigar na residência de uma prima para se esconder do ex-namorado. Meses depois, ao retornar de uma academia na companhia de uma amiga, Rayana foi atingida por disparos efetuados por um homem não identificado, em frente à casa do vizinho Adonias Nazaré Gomes, 52 anos. O caso, inicialmente tratado como duplo homicídio qualificado, foi desmembrado na esfera judicial. O processo referente à morte de Rayana Brito passou a tramitar na vara especializada em violência doméstica contra a mulher, enquanto o processo relativo à morte de Adonias Nazaré Gomes foi distribuído a uma das varas do Tribunal do Júri.

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