A Sandra Moreyra. O Jornalismo na Veia. A Paixão pela Cozinha. O Câncer no Esôfago. A Morte aos 61 Anos


 

O Antagônico relembra hoje a trajetória da jornalista Sandra Moreyra, que travou intensa luta contra o câncer e nos deixou em novembro de 2015. Sandra Maria Moreyra nasceu no Rio de Janeiro e atuou em importantes emissoras, dentre as quais Rede Globo e RJTV. Neta, por parte de pai, da jornalista Eugênia Moreyra e do poeta Álvaro Moreyra, e de Roquette-Pinto por parte de mãe, filha do cronista esportivo Sandro Moreyra e mãe da também jornalista Cecília Moreyra, Sandra formou-se em jornalismo pela UFF. Começou a atuar no jornalismo em 1975, com reportagens para o Jornal do Brasil, e a trabalhar em televisão em 1981. Durante a carreira, trabalhou como repórter, apresentadora, diretora de programação e editora. Nos anos 2000, apresentou a coluna de gastronomia Arte da Mesa, no Bom Dia Brasil. Com 40 anos de carreira, Sandra participou de coberturas jornalísticas de importantes momentos do país: cobriu a morte de Tancredo Neves, o Plano Cruzado, o acidente radioativo em Goiânia com Césio 137, a tragédia do iate Bateau Mouche, a Rio-92 e a ocupação do Complexo do Alemão.

Dentre seus trabalhos na televisão, destaca-se o especial "1808 – A Corte no Brasil", série de reportagens sobre os 200 anos da mudança da corte portuguesa ao Brasil. No cinema, Sandra Moreyra trabalhou como roteirista no documentário "70" (2013), da diretora Emília Silveira. O filme retrata um episódio ocorrido no auge da ditadura militar brasileira, quando um grupo de 70 presos políticos foi libertado e banido do país em troca da libertação do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, sequestrado por guerrilheiros da Vanguarda Popular Revolucionária. A cobertura que a jornalista considerava mais marcante foi o enterro dos mortos na chacina de Vigário Geral, em 1993. "Na hora de escrever o texto, a matéria tinha uma carga de emoção tão forte, da dor daquelas pessoas, da violência, que pensei: 'Tenho que botar isso nas palavras mais simples'. Quando a matéria entrou no ar, foi um soco no estômago", relatou ao site Memória Globo.

Morte — Em agosto de 2013, a jornalista usou sua página no Facebook para anunciar que lutava contra um câncer de esôfago. Sem voz depois do segundo tratamento contra a doença, passou a escrever para que outros lessem. Na série de crônicas para o aniversário de 450 anos do Rio, Tony Ramos, Fernanda Montenegro e Milton Gonçalves foram alguns dos que deram voz às histórias que ela contava com tanto capricho. Seu último trabalho foi a série "Cariocas Olímpicos". Com muita dificuldade para engolir, nunca perdeu o gosto pela cozinha: cozinhava, tirava fotos e publicava nas redes sociais.

Magrinha, descia todos os dias a rua de casa a caminho da academia — "quem sabe ganho um pouco de massa muscular", dizia. Em janeiro de 2014, foi submetida a cirurgia para a retirada do tumor. Sandra enfrentava o terceiro câncer nos últimos sete anos, desta vez no mediastino — região torácica perto do esôfago. Em setembro de 2014, voltou ao trabalho na TV Globo. No entanto, o tumor retornou, e Sandra morreu na tarde de terça-feira, 10 de novembro de 2015, no Rio de Janeiro. Sua última reportagem havia sido ao ar em 7 de novembro daquele ano. A morte comoveu colegas e fãs que trabalharam com Sandra: o jornalismo acabava de perder uma grande referência e uma grande profissional. Era uma carioca que amava as coisas do Rio — o carnaval, o samba e o futebol. O velório aconteceu no Memorial do Carmo, no Rio, e, no mesmo local, o corpo da jornalista foi cremado.

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