A Polícia Civil (PC) deflagrou nesta sexta-feira (30) a operação Rastro Oculto, que cumpriu um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão contra Samanta Brenda Cardoso, ex-funcionária do Banco da Amazônia (Basa) em Novo Progresso, no sudoeste do Pará, a mais de mil quilômetros de Belém. Samanta é investigada por peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações, estelionato e lavagem de dinheiro. Ela é suspeita de integrar um esquema de desvio de recursos financeiros de clientes idosos da instituição bancária.
Em nota, o Banco da Amazônia informou que "identificou indícios de fraude envolvendo uma empregada da instituição e que acionou imediatamente as autoridades policiais, que conduziram as medidas cabíveis". "O Banco reafirma seu compromisso com a segurança, a integridade e a proteção de seus recursos, colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos", informou.
A defesa da ex-funcionária do Basa disse que "a investigada é primária, ostenta bons antecedentes, possui residência fixa e sempre se manteve à disposição das autoridades policiais e judiciárias". "A defesa informa que adotará as providências jurídicas cabíveis perante o Poder Judiciário, com vistas à revogação dessa medida extrema. Reafirma o compromisso com o integral esclarecimento dos fatos, na convicção de que, no curso regular da investigação e de eventual processo, a verdade restará devidamente demonstrada."
As investigações começaram após a denúncia de um idoso que identificou movimentações financeiras não autorizadas em sua conta, com prejuízo de R$ 138.977,66. De acordo com a apuração, Samanta teria se aproveitado da relação de confiança estabelecida com a vítima para cadastrar o aplicativo bancário em um aparelho celular próprio e realizar várias transações fraudulentas. Os investigadores identificaram indícios de que a suspeita teria usado os recursos da vítima para fazer compras, como um celular avaliado em R$ 9.890,00, adquirido no próprio município, além de ostentar um padrão de vida com diversas viagens. Quebras de sigilos bancário e telemático, autorizadas judicialmente, revelaram ainda indícios de outras vítimas, incluindo outro idoso que teria sofrido prejuízo de R$ 49.950,00, além de outras movimentações financeiras que apontam para a possível existência de mais vítimas.
Fuga — Após tomar conhecimento das investigações e ser afastada das atividades bancárias, Samanta deixou Novo Progresso e passou a circular por diferentes localidades. O trabalho de inteligência chegou a identificar a suspeita em uma região ribeirinha de difícil acesso, em Abaetetuba, no nordeste do Pará, onde uma operação fluvial foi articulada com apoio da Delegacia de Homicídios do município, mas a mulher não foi presa. O monitoramento contínuo também permitiu localizar a investigada, no último dia 28, no Aeroporto Internacional de Belém, com deslocamentos posteriores para Guarulhos (SP) e Sinop (MT), o que levou a uma articulação com a Polícia Civil do Mato Grosso.
No fim da tarde de quinta-feira (29), Samanta foi localizada em uma área rural de Castelo dos Sonhos, distrito de Altamira, sudoeste paraense, e passou a ser acompanhada pela inteligência policial. A estratégia operacional priorizou a prisão em Novo Progresso, cidade vizinha a Altamira, para permitir o cumprimento simultâneo das buscas domiciliares e a apreensão de aparelhos celulares e de outros elementos fundamentais para identificar novas vítimas, possíveis outros envolvidos nos crimes e rastrear os valores supostamente desviados. Por volta das 6h30 desta sexta-feira (30), a Polícia Civil localizou e prendeu a investigada em imóvel. Na sequência, foram cumpridas buscas em dois endereços da cidade: um apartamento na avenida Jamanxim, no bairro Rui Pires de Lima, e um imóvel na rua Siébra Maia, no bairro Jardim Santarém.

Comentários
Postar um comentário