O Líder Religioso. As Cestas Básicas. Os Favores Sexuais


 

O ex-presidente da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, de Goiânia, Moacir Mendanha Castelo Branco, de 72 anos, pedia favores sexuais a mulheres em troca de cestas básicas, segundo um ex-integrante da comunidade. O líder religioso é investigado por suspeita de violência sexual e foi alvo de uma operação do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). A defesa do suspeito não foi localizada; a TV Anhanguera ligou para Moacir nesta terça-feira (28), mas ele não atendeu a emissora.

A ação foi realizada na manhã desta quarta-feira (28). Os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao líder espiritual, inclusive na sede da comunidade espírita, que está fechada temporariamente. Segundo o MP-GO, há indícios de que Moacir explorou a vulnerabilidade sexual de pessoas usando a entrega de cestas básicas. De acordo com o ex-integrante, o líder espiritual centralizava esse serviço e fazia com que todas as mulheres assistidas tivessem que falar com ele por telefone. "Ele ligava para essas mulheres, às vezes, tarde da noite e chegava assediando. Ele oferecia a cesta em troca de favores sexuais, principalmente quando percebia que a pessoa tinha vulnerabilidade social. Pedia fotos íntimas, dentre muitas outras coisas", afirmou.

Em áudios obtidos pela TV Anhanguera, que teriam sido enviados por Moacir a uma das vítimas, o líder espiritual faz falas de cunho sexual: "Você é a coisinha linda do Moacir. Você me entende. Meu tesãozinho, meu amor. Viu, meu bem? Quero você, o seu corpo, tudo. Eu sou esquisito mesmo. Eu sou daqueles fechadão, esquisito. Mas eu te quero, eu te amo", disse Moacir. Em contrapartida, uma frequentadora que participou de uma reunião realizada em maio no centro espírita disse que "nunca ouviu ou soube de nada a respeito de Moacir" e que ele "a ajuda sempre com cestas básicas". Outro participante do encontro disse que "o presidente precisa ter muita cautela, evitando situações que possam ensejar escândalos envolvendo frequentadores da comunidade".

A operação foi realizada nesta terça-feira (27). Segundo o Ministério Público, a investigação começou após a denúncia de uma integrante da comunidade espírita. Ainda segundo o órgão, a suspeita é de que Moacir tenha usado sua posição de autoridade na comunidade e a fé das mulheres para submetê-las a condutas que, a princípio, configuram crimes contra a dignidade sexual, entre eles o de violação sexual mediante fraude. A operação foi realizada pela Procuradoria-Geral de Justiça, em parceria com a 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, o Centro de Apoio Operacional Criminal (CAO Criminal), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita).

O investigado não foi preso, mas a Justiça determinou que ele cumpra medidas cautelares, com proibição de frequentar a sede da entidade e obrigação de comparecer mensalmente em juízo. Também foi autorizada a quebra do sigilo de dados telemáticos do investigado.

A diretoria do centro formalizou o afastamento de Moacir junto à Federação Espírita de Goiás em julho. A unidade onde os fatos ocorreram, no Jardim Guanabara, encerrou as atividades, e o imóvel passou a ser gerido por um novo grupo religioso, com alteração de fachada e nome. Segundo o Ministério Público, o ex-presidente do centro espírita estaria articulando a abertura de um novo centro religioso em Santa Helena de Goiás, a cerca de 210 km de Goiânia. "Isso reforçou o receio de que ele volte a usar a liderança religiosa para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade", afirmou o órgão.

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