O Senado. O PL. As 28 Cadeiras. A Maioria. O Impeachment de Ministros do STF. O Alexandre de Moraes e a Bola da Vez


 

O Senado terá, a partir de 2027, ao menos 49 congressistas favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que com ressalvas, segundo levantamento desta reportagem. Para aprovar o afastamento de magistrados são necessários 54 votos — dois terços das cadeiras da Casa. Atualmente, 14 senadores com mais quatro anos de mandato já se posicionaram a favor da abertura de processos por crimes de responsabilidade contra ministros do Supremo. A partir do próximo ano, eles se somarão aos 35 eleitos neste domingo (4) que também endossam a medida.

É o caso, por exemplo, de Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas com recorde de votos pelo Distrito Federal, além de Guilherme Derrite (PP), por São Paulo, e Carlos Portinho (PL), pelo Rio de Janeiro. Entre os recém-eleitos, 29 foram apoiados pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa da disputa ao Planalto na frente de Lula (PT). O filho de Jair Bolsonaro (PL) divulgou uma lista com 48 nomes — ou seja, conseguiu eleger 60% dos aliados indicados.

Os dados consideram a troca de mandato de Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR), que apoiam o impeachment de ministros do STF, mas foram eleitos governadores em seus estados; seus suplentes, até o momento, não se manifestaram publicamente sobre o tema. O PL também terá a maior bancada no Senado a partir do próximo ano, com 28 congressistas — elegeu 19 somente neste domingo e passará a ter cerca de três vezes mais representantes na Casa do que o PT, segundo maior partido na lista, com nove senadores, sendo seis eleitos neste ano.

O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem represado os pedidos de impeachment contra ministros do STF. Em um aceno a Lula, pautou para esta terça-feira (6) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1. O petista pretende colocar Flávio Bolsonaro contra a parede, forçando o senador a se posicionar sobre o projeto.

O grupo bolsonarista trabalha com a possibilidade de eleger para a presidência do Senado o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), ou a ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-MS). Marinho é o favorito do bolsonarismo por estar mais alinhado às pautas ideológicas do grupo, enquanto Tereza Cristina é vista como nome capaz de atrair apoio de uma ala maior do centrão — embora não tenha se manifestado claramente sobre o impeachment de ministros do STF.

Alcolumbre tem mandato até 2030 e trabalha para conter deserções do centrão em direção ao bolsonarismo, além de buscar apoio da base do presidente Lula para se reeleger à cúpula do Senado na próxima legislatura. O senador havia rompido com o Palácio do Planalto ao articular a rejeição de Jorge Messias ao STF. Levantamento desta reportagem apontou que 116 dos 207 candidatos mais competitivos ao Senado apoiavam o impeachment de ministros do STF, tendo o ministro Alexandre de Moraes como principal alvo dos bolsonaristas.

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